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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Mãe, eu quero ser poeta!

Mãe, eu quero ser poeta!
Quero o doce fardo de carregar água na peneira,
De se encantar pelos despropósitos a
E com palavras, peraltagens criar.

Ôh mãe, eu quero ser poeta!
Quero me graduar na ciência
Louca de desenhar versos,
E, me empregar das levezas, bobices e desencantos...

Ah, deixa-me ser poeta...
Deixa-me voar e entrar nos abismos,
Colher as palavras como quem colhe
Frutas adocicadas no quintal.

Ah, mãe...
Não me encaixo no padrão
Sou torta, pássaro selvagem, sem ninho
Mas como o do diabo, o pão,
Pelo simples ato de querer ser poeta!

domingo, 18 de dezembro de 2016

Minha criança



Uma selva de cabelos brancos
cultivados ao longo de mais de 70 anos:
foram 'sins', nãos, erros, acertos,
mas foram sobretudo,os frutos de uma vida.
As escolhas, as lágrimas, os risos e
também os feitos de uma guerreira: minha matriarca.

Mesmo quando tuas forças já começam a minguar,
mesmo nas fraquezas tu sabes ser forte,
ou melhor és forte, e essa tua força,
tua constante intercessão, tua firmeza e também o teu gemer,
teu clamar, o teu calor, tudo isso me fazem ser eterna observadora,
aprendiz da tua sapiência, de tua fé.

Mesmo que as letras te faltem,
que os olhos marejados e já cansados do tempo,
mesmo assim franzina,
de porte fino e físico desgastados,
de cabelos prateados e rugas na face,
vejo nisso tudo os caminhos da experiência,
os caminhos que me encaminharam...

Gratidão, respeito e amor
Sei que isso são apenas obrigações,
Formas simples de agradecer e reconhecer
A fortaleza que tu sempre foi, e será, sempre...

Desde tua seiva até a tua coragem,
Me ensinaste o caminho do bem:
Mãe,
que na tua velhice possa eu
Dar- te todo o cuidado
Que me foi dado quando
pequenina e infante tu me deste.

Que seja agora, tu
a criança que eu devo ninar
com o mesmo intenso amor
que outrora tu me regou.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

AmoVC


"Outra vez vou te cantar,  vou te gritar
e as paredes do meu quarto vão assistir comigo..."
(Cazuza)

Tuas violetas esperam
para reencontrar o doce orvalho de tua voz...
Tuas plantas, teu jardim, teu pomar,
todos eles anseiam por tua fineza, tua firmeza,
todos eles querem a ti.
Tua casa te aguarda,
teu cheiro está em cada recanto, em cada sala.
Olho para teus objetos,
e até eles imploram por tua presença.
O que faço eu nessa casa deserta
se não tenho a tua companhia?
Se tuas queixas, tuas preces,
tuas broncas e também teu firme amor
se ausentaram?
Minhas lágrimas regam tuas coisas,
e mesmo assim, junto a elas, eu imploro:
'retorna!, e traga-me logo o teu socorro...' 

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...