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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Sangue

Meu ventre, em raiz sangra
cada gota
fecunda o ventre da mãe primordial.
Perpassa as eras, as horas, o húmus...

O sagrado feminino,
belo,
forte
íntimo.

Jorra a seiva vermelha de volta ao seu jardim:
jardim das belezas
das delícias,
das deusas,
das poetisas...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Me tens

Ser humano,
Ser mulher,
Ser poeta
Ser musa,
Ser corpo
Ser poesia:
Ser tua!

Degustar a vibração,
Sentir a energia do bem movimentar.
Dançar, celebrar, servir de inspiração e também se inspirar

Dentre tantos motivos,
Eis que a vida floresce, e sugere:
Mulher, quero ser tua!

-Eu apenas digo: Vida, vem, tu já me tens!


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ardência

Banho de língua:
feito gata, me derreto entre a tua chupada.
Uivo, feito loba no cio:
de quatro, empino meu quadril.
Me contorço:
reencarno Lilith, a serpente que há em mim.
Ofegante, eu determino:
me dê mais, me dê intensidade, me enrosca, me deguste, me percorra...

Dos meus poros: o perfume afrodisíaco natural;
Da minha boca: beijos e mordidas;
Do meu corpo: flui o precioso mel;
Sou pimenta, ardência intensa, mulher a mil.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bacana insônia

A madrugada não me permite dormir
Um gole no vinho: direto na boca
Um disco dos Beatles, caneta e papel:
Deitada na sala, no escuro, a inquietação me convida a dançar.

*Como me sinto incrivelmente humana!

Me solto, danço levitando e acredito piamente nisso:
Esqueço da mãe integral que sou,
Da super mulher que devo ser,
Da adulta responsável que paga suas próprias contas,
Da exímia profissional,
Da feminista, ativista, politizada, revoltada...
Esqueço de tudo, e me sinto apenas MULHER!
A mulher da madrugada, sozinha se sentindo plena,
Dançando suave com a caneca de vinho, na sua sala revestida de grilos.
Amo quem sou! Amo meu corpo, minhas marcas, minhas tatuagens, meus cabelos, meus olhos: o que sou!

Esses dias de bacana insônia
Combinados com vinho e música,
Ah esses dias... Como não devemos esquecer deles!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

PROFECIA

À cada dia, nosso corpo é violado,
a cada instante, somos molestadas,
Essa tortura, será, nunca se acaba?

Mãos, bocas, dentes, caralhos, e o diabo à quatro esfregam,
comem, devoram, e sem autorização, se apossam de nós,
tal como terreno baldio, que sem dono, fazem o que querem:
A TV, a internet, a propaganda, o presidente,
o padre, o professor e  o pastor, e o patrão também...
Até quando???

Nosso grito assombra a história,
todo tipo de violência: ideal, corporal, moral, escambau,
estampam nossaa cara e cicatrizam nossa alma.
Desde sempre foi assim... (Muitos dirão),
Certo?
ERRADO!!!

Mas eis que de uma a uma nos erguemos,
reivindicando o ato de SER.
Nossa luta é constante, duradoura, cosida fio a fio, diariamente...
Helenas, Marias, Zilmas e Ninhas, companheiras minhas!
Nossas mãos se levantam e nosso canto,
se ascende ainda mais!

Que cada violência cometida se reverta em força e indignação.
Que a intolerância e a ignorância sejam gatilhos que nos unifiquem cada vez mais!
Que cada ultraje cometido contra nosso corpo  seja revertido em atitude e ativismo,
desde o Planalto, aos confins da Terra!
Que a dor de uma, seja a dor de todas!
E que todas, todas sejamos UMA, Unas!





quinta-feira, 21 de abril de 2016

FLORES PRA 'DI'


Ela não é do lar,
Recatada? Acho que não!
Bela? Fora dos padrões...
Mulher, já entrou pra história, já fez história;
Terrorista, desse jeito sim,
Afinal,, impregna medo nos patrões.
Tua força, tua cara, minha cara, tantas caras...
e segues seguindo
resistindo às perseguições.
Teu partido não tem mais estrela,
teu partido somos todas nós.
Tua bandeira, a vermelha,
representa nosso ciclo, nossa voz.
Por isso brasileiras, em meio a hostilização
colhemos flores e as lançamos
sobre o mármore da capital.
pra revelar um segredo:
unidas, sempre somos mais.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A menina da filosofia - Parte I

Que menina é essa, que ousa quebrar as convenções, as normas e padrões sociais,
que apaixonada, transgressora, mantem romances e relações vívidas e necrófilas,
que diante do espelho, se revela e se vela, sendo o reflexo movente, já desaparece!

Quem é esta cuja arrogância sobressai,
modificando a história dos homens, das mulheres,
com pensamentos desiguais...

Nem sequer tem nome, berço ou classe social,
a vida é quem lhe guia,
problemas é o que lhe atrai!

Cabeça própria, corpo são,
faz o que lhe vem à telha,
desobedece quem lhe diz 'não'.

Não importa se é loira, ruiva ou negra,
se estuda, trabalha ou se somente sonha,
sei apenas que sua figura a muitos impressiona!

Pode parecer Pagu, parecer Artemis,
Beauvoir, Arendt, Marina,
Lóu Salomé, e muitas outras mais.

Não se abriga em livros, nem em palavras mortas,
a vida é sua cátedra leal:
constante reticências nunca ponto final!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem era ela?


Durante esta manhã, olhava uma moça,
de cabelos negros e olhos vivos, era-me conhecida ela.
Na inquietude de seu corpo, de seu portar misterioso,
de seu colo magro e instigante, pude ver que emanava desejo e magia,
feminilidade, potencialidade... poesia.
Deixei-me levar por seus traços hostis, por seu desenho feito à grafite,
sem cuidado, tamanha rudez a envolvia, e eu olhava-na...
reconhecia-na de algum lugar, mas de onde?
A manhã foi seguindo, meio ensolarada, meio encoberta,
porém encoberta era a figura que meus olhos não ousavam desencarnar.
Aparentemente forte, a reconheci de meus sonhos utópicos,
de meu baú repleto de quinquilharias,
das recordações de minha infância já desbotada...
Quem era ela? Quê era ela?
Não sei, não sei, mas sei que seu semblante enrustido em mim está.
Talvez ela seja eu, seja o sonho meu sobre mim mesma...
Quem sabe?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Presente


Ofertaram-me o fruto da fertilidade
donde de si, fluiam raios perfumados
energias vitalícias
sabor de poesia.
Ofertaram-me a singeleza de uma flor
um rebento que não se rebentou,
e aos meus pés se deixou cair.
Logo a mim,
ser de extraordinária ignorância
de imensa deselegância,
de cantar desafinado
e versos desritmados...
Ofertaram-me algo,
logo a mim,
mente insana,
moça interiorana,
logo a mim!
Mas perante este presente íntimo
lançarei meu canto futuro ínfimo:
agradecida, lisonjeada,
eis em minhas frágeis mãos
a oferta que a natureza me ofertou.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Canção de admiração


Colos alvos despidos
entre faces,
lances,
nuances de um universo multicor
Cabelos esvoaçantes,
lábios rubros
corpos lâguidos,
olhos cerrados,
cânticos entoados.

São arcanjos,
reluzentes,
endiabrantes,
cujas formas enfeitiçam
resvalam poder,
(re)formas,
desfazem tabus:
fogem do norte, preferem o sul.

Não creio nas canções dos poetas, nos depoimentos do boêmios,
nas juras simplórias do macho imponente...
O que vejo, o que sinto, o que desejo
simplesmente perante esses colos alvos nus
são migalhas valiosas,
são cânticos interiores,
transgressores,
recordações cravadas
de quem não é musa
mas revela em seu canto sua admiração e o poderio de se ser mulher.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Saia-dela

Na gira da saia dela
um balaio de cores, tantas cores,
tantas flores, muitos sons:
que eu me encanto, fascinada,
não digo nada,
me envolvo, me excito
no balanço do balaio de cores dela.
Na cor da pele dela
histórias sem fim,
melanina, mel e canela,
renascendo no fulgor
na barra da saia da moça de cor.
No emaranhado das madeixas dela
pensamentos martelam
enquanto que as cores dela
o mundo conduz...

sábado, 27 de novembro de 2010

Filha das águas

O curso do rio
determina onde vou...
As vozes das árvores entoam cantigas de consolo
à solidão de uma poetisa fugitiva,
que chora, chora,
derramando lágrimas de lembranças fugidias
alimentando o leito do rio
que dita seu curso.
Mulher medieval
mistério
e
magia
acalantam meu colo.
E o rio, ah, o rio
ele ainda dita as águas que devo seguir...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fruto pro(l)ibido

Do rubro fruto colhido carnalmente
o sumo puro do feitiço da história,
de latente sabor, impregnado na memória...
eis assim, a construção da mullher.
Repudiada e sempre lembrada
pelo poder de seu agir,
subjulgada, submissa,
teve em seu corpo estampado
a medalha do pecado.
Mas antes de mero corpo,
grande alma também é feita,
intelecto, corpo,
pecado e santidade...
Mas deste mesmo fruto, pode-se emanar
a libido, a luxúria,
e a tantos faz gozar,
como também a inteligência
de seu leve e presente Ser e Estar.
Mulher,
fruto da árvore do conhecimento
contrário ao Gênese,
tu, a tantos pode ensinar, amar, gozar...

sábado, 31 de julho de 2010

Sagrado ato

"Foi mistério e segredo, e muito mais...
se amar como dois animais!"
(Alceu Valença)
O ato e a potência
de sermos mais que homem e mulher,
nos fazem ser forças, bem mais que meros corpos
atraídos, enrolados, ébrios, absinto!
Dois que dançam,
dois que portam na carne
a incisão do desejo,
do prazer,
da volúpia...
Na cama, somos santos.
Na grama, pietá erótica.
Na lama, animais...
Nosso sexo é intenso e desconhecemos outra forma de nos amar!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Puta nostalgia...

Acordei,
pena que a cama estava realmente vazia,
nela jaziam os lençóis que outrora teu corpo perfumava,
teu espaço sempre determinado...
teu desenho que se completava ao meu!

Acordei na imensidão da cama que foi feita pra nós,
do espaço onde cabia a nossa pequenez,
a nossa extensão,
o nosso chamego,
e de repente, sem saber ao certo por quê
quis acordar sozinha!

Quis imperar pelo espaço que julguei precisar,
quis voar longe por minha liberdade
quis amar Narciso,
escolhi a mim!

Nessas manhãs então, onde teu cheiro me incomoda
onde meu corpo insiste pelo teu sexo,
corro e amo a ducha...
mas sei que eu me basto!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Este seio que aqui, diante de ti está desvelado
transpira vapor emana desejo...
deste mesmo seio que outrora homens nus já se deleitaram
hoje permanece intacto, virgem, nu.
De mamilos róseos, de pele morena
de fantasias realizadas e outras ainda a se realizarem,
de dóceis traços, de silhueta simples:
aqui mesmo me revelo,
me desvelo,
me dou,
sou.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sagrado, segredo feminino revelado

Uma donzela subiu à lua
e nela pôs-se a tocar sua canção mais triste,
derramando uma chuva de pétalas melancólicas
deixando as frias estrelas mais chororsas...
Uma moça sentou-se na lua
e lá, distante dos homens
conheceu seu sagrado, seu segredo
seu lado feminino
que a História apagou...
Uma mulher se fez lua
incendiou e raiou com sua luz clara, alva
o espaço celeste, escuro, duro.
Despertou ao mundo a força de ser MULHER
a não-costela, a não-submissa,
mas a que em Lilith restaura suas forças...
Subiu, entoou cantos, compôs melodias
se fez lua,
e agora, com os pés fincados na terra,
tudo deriva dela.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Corpos nós

(...)
o prazer em tê-lo refloresce em meu semblante
tal qual a luminosidade de uma tarde de verão.
Busco degustá-lo, devorá-lo
bebê-lo, consumi-lo...
Entro em transe com sua ereção
- me ame, me ame,
nesta intensa situação.
Há horas portanto, deixo-o ir
e em meu espaço ponho-me a refletir:
Não sou culpada, vítima ou meretriz,
sou atentada aos calorosos prazeres sutis.
Sendo outra ou não,
sou o que sou sem maior objeção...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...