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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Anti-notícia


"Porque a dor da gente não é noticiada no jornal..."
(Artur da Távola)

Menos mal...
Não é noticiada, mas é compartilhada:
não por mortais, mas pela lua que me banha
com sua luz branca e fria.
Porque a dor da gente é sentida,
curada e esquecida.
Menos mal...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rosas arrancadas

Arranquei as rosas e as pus sobre mim.
Não me deti às dores causadas pelos espinhos,
ao aroma que exalavam,
às cores que pulsavam...
Arranquei as rosas e as pus sobre mim:
não feri minhas mãos tanto quanto meu coração,
não sujei-as tanto quanto meus pés,
mas as arranquei...
Nem por amor, nem por dor,
por nada,
apenas por meu querer,
pra satisfazer meu ego
e vê-las,
junto a mim, faceler...
arranquei as rosas e as pus sobre mim:
para amenizarem minhas dores,
sanar as carência,
apagar as ausências
e me ouvirem falar.
Eis o único motivo simplório
pelo qual matei-as:
matei-as para verem elas também o meu sucumbir...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Simples canção

Esta canção vem falar das acusações,
das portas fechadas,
das amizades idas,
das lágrimas perdidas...

Esta canção fala das tristezas,
dos acordes, desacordos,
manias de solidão,
refúgios em vão(s)...

Cancioneiro debruçado
recordando aos fatos,
remoendo os erros,
perfurando, entre farpas, os dedos.

Esta é minha canção,
sem métrica, em sons...
Esta é uma canção,
falando apenas da solidão!

sábado, 27 de novembro de 2010

Àquela que se foi...

Embarcada na intensidade de pesadas nuvens cor de azul-solidão
rogo aos mortais daqui do meu ponto,
do meu porto,
do meu morro...
Velo, sentindo a ausência dos que se foram,
desejando o melhor e a luz necessária
a quem partiu...
amizades são nuvens, nunca leves, mas sempre intensas,
e a ausência dessas
revoga minha fortitude de mármore.
Frieza deixa de ser frieza,
face inerte deixa de ser inerte
e ela ainda me faz falta...
Não é glorioso reconhecer a falta
de quem faz falta, não é honroso
passar e fingir não ver...
Mas sou pedra,
e daqui do morro, porto, ponto
cubro minha face de vergonha e
permito as nuvens passar.
Elas passam, ela passa
eu fico
.

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...