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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

AmoVC


"Outra vez vou te cantar,  vou te gritar
e as paredes do meu quarto vão assistir comigo..."
(Cazuza)

Tuas violetas esperam
para reencontrar o doce orvalho de tua voz...
Tuas plantas, teu jardim, teu pomar,
todos eles anseiam por tua fineza, tua firmeza,
todos eles querem a ti.
Tua casa te aguarda,
teu cheiro está em cada recanto, em cada sala.
Olho para teus objetos,
e até eles imploram por tua presença.
O que faço eu nessa casa deserta
se não tenho a tua companhia?
Se tuas queixas, tuas preces,
tuas broncas e também teu firme amor
se ausentaram?
Minhas lágrimas regam tuas coisas,
e mesmo assim, junto a elas, eu imploro:
'retorna!, e traga-me logo o teu socorro...' 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O berço do kaos

Aqui nesta solidão cultivo apenas um querer...
Agora, neste exato instante alimento um único e mísero desejo...
Ah, esta noite 'setembrina' de intenso calor, de céu límpido,
de lua nova, de pequeninas e diversas estrelas a luzir.
Ah, esta noite em que o luar se faz tão claro, tão evidente
resgatando lembranças de um tempo bom,
trazendo a companhia querida dos amigos,
os sorrisos que foram soltos em tantas noites passadas,
ah, noite que me traz o movimento da dança,
o gole de vinho,
a filosofia em aula,
e o paraíso numa sala...
Havia naquele tempo um pequeno lugar encantado,
cujas paredes abrigavam o kaos,
era simples, o lugar, mas era um bom lugar.
Talvez não volte mais lá, talvez o 'eu' de outrora não exista,
talvez aja bastante 'talvez' ou talvez não aja mais nenhum...
Boas companhias, algumas mal encaradas,
outras cômicas demais,
e outras ainda pacientes demasiadamente.
Reviro meus papeis e neles restauro minhas esperanças,
um verso solto dá lugar a mais outro,
e recordo-me novamente o tal lugar:
talvez cafofo, talvez cafil,
-sim, este era o lugar...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Saudosismo

E hoje, meio que repentinamente,
como algo que salta do peito de um mortal,
fui arrebatada por uma saudade,
uma saudade desfocada,
com cheiro de livro antigo
e cara de plantas secas,
com um quê de vida morta...
Ai, saudade,
aqui dentro suas traças me devoram,
sua cor me apavora
e o saudosismo de tantas coisas
isso, sim, quero que vá embora!

obs: foto de Zaira Reple

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...