Mostrando postagens com marcador utopia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador utopia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sonho bobo


Hoje só queria mesmo pronunciar ao menos algumas palavras, que esvoaçadas ao vento, fugiram de mim para contemplar a realidade exterior...

Hoje, somente hoje, queria ao menos roubar um pedaço das nuvens e sentir se são realmente feitas de algodão doce...

Hoje, queria só olhar pro ontem e não mais me arrepender de não ter arriscado, de não ter dito, de não ter ido...

Hoje, quero eu não lamentar as escolhas tomadas, os caminhos traçados, as linhas apagadas...

Hoje como em qualquer outro dia, simplesmente quero me prender às asas de uma louca e bela borboleta, e sair por aí trilhando sonhos, brincando de ser poetisa, de ser gente grande...

Hoje e em todos os outro dias vivo brincando de viver... viver intensamente!

Alguém aí quer me acompanhar?

domingo, 11 de abril de 2010

Conflito


Enquanto deixamos nossos prazeres passarem, a morte aproxima-se mais de nós.
Enquanto o sistema nos engole, a vida perde sua autonomia, tornando-nos mais infelizes.
Por que então lutar no mesmo intuito, correr a vida inteira por coisas banais?
Por que então, cessar os sonhos e comodamente contentar-nos com o real?
Acatar em vão o drama, e do sorriso não restar nem mesmo os dentes?

O espelho nos encara e seu reflexo não nos reflete!
Mas ainda teimo em me encontrar,
em me perder nos meus instintos,
em gozar dos meus prazeres...
Pouco importa se me rotulam de hedonista, de empírica, de quimérica...
O que mais me importa então, é esse não viver somente presa à realidade...
mas inventar, recriar e estar em tantos mundos, mudos:
me reconhecer em todos eles!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sabe aqueles dias que você pára toda a correria da rotina, respira e começa a refletir sobre o seu comportamento mecânico dos últimos dez anos da sua vida? Sabe quando você percebe que há algo de errado com o estilo de vida dos contemporâneos? Que as crianças antes de entrarem para a escola trilham sonhos próprios, e depois que nela entram, são abortados metade dos sonhos delas e os que ficam, são os que o sistema padroniza como sonhos...?
Sabe aquelas horas que a gente sente falta de alguma coisa, dentro da gente mesmo, que as pessoas que pegam ônibus com você estão sempre reclamando do sistema coletivo de transporte e da vida também? Sabe quando a gente nota que nossos hábitos se parecem com "Tempos modernos", do Charles Chaplin, só que ao vivo e à cores?
Sabe, nessas horas sinto uma felicidade tamanha... não porque nos tornamos mal amados, frígidos, porque nosssos planos são basicamente comprar um carro e passar num concurso público, mas porque estamos em crise! E não pensem precipitadamente que as crises são ruins... não, elas não são! Através delas conseguimos detectar os problemas, conseguimos enxergar nitidamente o que nos falta, o que foi perdido e o que é preciso recuperar. São com as crises que vemos nossa existência com outros olhos, que somos capazes de sair da monotonia, arregaçar as mangas e partir para uma mudança...
Sim, gosto das crises porque elas me possibilitam mudar, recriar, reinventar, e por que não, renascer... Renascer dos erros, das armadilhas do neoliberalismo, da doutrinação global, da massificação dos seres... Renascer dos preconceitos sobre as minorias, das guerras civis, da trágica corrida armamentista, do inescrupuloso discurso econômico... e assim trilhar uma nova história.
Sabe, hoje pode ser um dia desses, aliás, algo importante a ser lembrado: HOJE é sempre dia de renascer... então, não perca tempo nem mesmo vida esperando para renascer outro dia, faça-o agora! Renasça e faça da sua hístória, uma história diferente!!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Resgate de mim

Certa noite a brisa trouxe-me uma mensagem.
Sem remetente, sem envelope, sem CEP ou algo mais que possibilitasse saber de onde ela viera. Chegou sorrateiramente, entrou pela janela, passeou por todo meu corpo, penteou meus cabelos, e ao chegar aos meus ouvidos, deliciosamente sussurrou... Embriagada com o momento, acompanhando a vagarosa e leve dança, levitei e junto ao seu pedido sussurrado, voei. Saí do meu quarto passei pela varanda e quando me dei conta, já estava sobre o jardim.
Aos poucos fui saindo do meu habitat, e logo estava eu brincando por entre as estrelas, ouvindo a belíssima Lua declamar seus versos e poemas preferidos. Fui ao seu encontro, e ela timidamente acomodou-me em seus átrios. Sensações... Sensações... Sensações.
Plenamente em estado de gozo, descansei e me pus a contemplar o que estava me acontecendo. Lá de cima, vi as pontas dos arranhas-céus, os grandes centros comerciais, os outdoors hiper iluminados, as campanhas imperativas "COMPRE!", "EXPERIMENTE!", "LEVE!", "ADQUIRA!". Vi também as fumaças escuras, borrando o céu, dando às nuvens formas e feições obscuras, pesadas e sobretudo dando-as poluição. Aos sons dos versos lunares, percebia que lá em baixo nós estávamos matando-nos. Matando a nós, matando ao Planeta!
Nem sequer senti saudade...
Nem mesmo quis voltar...
Sonolenta, lembrei-me da minha infância, dos meus sonhos de moleca, das minhas quimeras, dos meus planos de mudar o mundo. Pude os ver nitidamente, pude inclusive detectar onde permaneci a mesma e onde mudei... As mudanças, nossa, essas me assustaram! Algumas de bom grado, outras, em grande maioria, fizeram-me refletir. Tudo aquilo que eu era, poucos vestígios restaram. E tudo o que abominava outrora, tivera eu me tornado... Interrogações. ???
Assim vi que deixei de sonhar, que deixei de valorizar as fantasias, que me tornei mais uma pessoa frustrada, ao qual há muito tempo abortei o meu "ser criança". Decepcionada, derramei torrentes de lágrimas, e quis fortemente voltar ao tempo passado na tentativa de reconstruir minhas escolhas. Inútil querer! Não poderia definitivamente voltar ao passado.Enxuguei as pesarosas lágrimas e pedi apenas para voltar, não ao passado, mas ao meu canto, ao meu simples quarto.
Vagarosamente voltei...
Voltei ao meu quarto e com os pés no chão optei por dar uma inversão à minha vida. Mergulhei a fundo em meu âmago, e de lá colhi os sonhos e os quereres quase esquecidos, os valores desbotados e tudo o mais que a contemporaneidade me fez abortar. Juntei tudo isso, enchi minha mochila e compactuei comigo mesma que a partir daquele instante, faria valer a pena a diversidade, o movimento e a brevidade da vida. Encarando meu reflexo no espelho, pude reconhecer-me novamente.
Vivenciei a experiência pura e completa de ser aquilo que sempre fui: uma criança, uma existente VIVA de verdade!!!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...