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domingo, 12 de junho de 2011

Unidade maternal

"Somos a luz desse mundo/ Somos o sal dessa terra
Somos todos filhos da terra/ E todos somos um..."
(Chimarruts)

Esta noite tive uma visão, uma sensação esplendorosa!
Senti-me como uma semente nutrida no grande ventre,
estática, eu não passava de um rebento
e dentro, nas entranhas da Mãe Universal
quietude plena senti.
Estava sendo gerada como outrora,
alimentada pela seiva de Gaia,
tão frágil me vi,
Senti a força do ventre dela,
senti os sons,
estado elevado,
inconsciência,
não-razão,
mais que estado, fenômeno inexplicável!
A mãe primordial esta noite me re-criou,
me levou novamente ao seu ventre
e me mostrou de onde vim.

-Unidade com a mãe, seu rebento sempre serei,
a estados mais profundos, com ela experimentarei!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OFERTA

Natureza assim, desnuda
despida
etérea.
Força sublime,
força forte,
pura e libidinosa.
À sua descoberta,
pronta às suas ramas regar
firo-me, fertilizo-me
e em desejosa nudez
meu corpo a ti pretendo ofertar...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eu

Aqui estou mais próxima da minha loucura,
aqui encontro-me com minha vaga lucidez,
aqui escondo minha face,
aqui revelo quem sou:
não há portas, maçanetas, chaves,paredes...
Não há homens, nem mulheres,
algozes e benfeitores,
nem tão pouco astros e entidades simplórias.
Aqui, nesta carne que se move,
neste corpo que salienta-se,
há um EU humano,
sem gênero, sem sexo, sem classe, sem ofício:
Eu corpo, Eu espírito,
Eu deus, EU deusa,
Eu tudo - Eu nada

sábado, 2 de outubro de 2010

Chuva que lava, que leva... que rega!

Depois de longa sequidão,
nesta manhã, o céu abriu seus portais!
Fertilizou o solo, com gotas que caíam lentamente...
intensamente!
Cada planta, cada folha verde
cada ser vivo se abriu ao úmido espetáculo...
eu me abri!
Ali, prostrada na terra molhada,
recebendo a dádiva fertilizante, deixando escorrer por entre minha face molhada
a mesma água que fecunda a Mãe,
que rega as plantas,
que lava, que leva...
Diante a chuva,
diante o céu nublado carregado de pesada nuvens,
eu me prostrei,
me deixei lavar,
levar...
e a chuva continuou a cair, me regou, fertilizou a mim e à Mãe Terra.
E fomos uma mais uma vez...
Benditas sejam as gotas dessa chuva que cai,
que nos rega, que nos molha,
que nos lava, que nos leva.

domingo, 26 de setembro de 2010

Religare

Eles são dois...
diante deles a pisada forte e precisa.
São dois que nos religam,
nos matêm firmes, em movimento e também em repouso.
Diante deles a pisada forte e precisa
nos religando com a mãe, com a grande Mãe.
E perante ela, tudo me é sagrado:
todo o desejo repousa em sua presença,
exceto o desejo de desejá-la,
de quem unido à ela,
busca novamente o seu sagrado ventre...
Eles são dois que fazem parte de mim.

sábado, 31 de julho de 2010

Sagrado ato

"Foi mistério e segredo, e muito mais...
se amar como dois animais!"
(Alceu Valença)
O ato e a potência
de sermos mais que homem e mulher,
nos fazem ser forças, bem mais que meros corpos
atraídos, enrolados, ébrios, absinto!
Dois que dançam,
dois que portam na carne
a incisão do desejo,
do prazer,
da volúpia...
Na cama, somos santos.
Na grama, pietá erótica.
Na lama, animais...
Nosso sexo é intenso e desconhecemos outra forma de nos amar!

sábado, 10 de julho de 2010

Amargas Margaridas, tudo isso é vida!

Hoje passeei por um jardim de floridas margaridas,
de flores amargas, margaridas,
de sonhos enterrados feito semente,
de adubos escuros e frios,
mas também eficientes.
Presenciei o desabrochar de uma rosa,
rosa sedenta de vida,
vi um beija-flor roubar a virgindade de uma flor,
vi uma borboleta de asas coloridas
pousando na folha que posava pra mim...
Passeei por um jardim,
vi flores, encantos, dores e desamores
reconheci quando plantei cada umas delas,
recordei o tempo em que colhi o que plantei,
mas consegui, analogamente,
identificar que tudo é vida:
cada réstia de tristeza, amargas margaridas;
cada filete de felicidade, plantio e colheita;
cada movimento da mão, da mãe, da terra...
estou cuidando do meu jardim, e espero que ele também cuide de mim!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sagrado, segredo feminino revelado

Uma donzela subiu à lua
e nela pôs-se a tocar sua canção mais triste,
derramando uma chuva de pétalas melancólicas
deixando as frias estrelas mais chororsas...
Uma moça sentou-se na lua
e lá, distante dos homens
conheceu seu sagrado, seu segredo
seu lado feminino
que a História apagou...
Uma mulher se fez lua
incendiou e raiou com sua luz clara, alva
o espaço celeste, escuro, duro.
Despertou ao mundo a força de ser MULHER
a não-costela, a não-submissa,
mas a que em Lilith restaura suas forças...
Subiu, entoou cantos, compôs melodias
se fez lua,
e agora, com os pés fincados na terra,
tudo deriva dela.

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...