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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Só mais um desabafo...


Posso querer que o mundo pare,
que as lágrimas cessem,
que as palavras calem;
Posso pedir o silêncio recheado de amargura,
posso sonhar em fugir, e 
de fato, voar pra bem longe,
posso querer tudo,
posso sonhar tudo...
Só não posso fazer do meu desabafo
um motivo a mais para que o sol não nasça...
Posso desabafar, e em mais um entardecer
suplicar por forças, suplicar por amor,
mas não posso fazer com que minhas queixas parem o mundo,
o estatize...
Seguimos: eu, o mundo e meu desabafo,
só não podemos nos dar o luxo
de, em desabafos, desabar 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

pesado voar

É como se eu não estivesse aqui em mim,
é como seu eu flutuasse, mesmo pesada!
É como se eu desconhecesse os meus,
os meus olhos pesam mais que meu corpo
mas isto não torna-se motivo que impeça meu voar...
É como se minha solidão virasse contra meu peito,
impedindo-me de respirar,
pensar, filosofar, poetisar...
Agora estou em meio a nuvens, que sempre pareceram ser de algodão,
meus pés não querem o chão,
minhas mãos não querem matéria alguma,
meu corpo não quer ser corpo,
minha mente, sempre, por aí pairará...

sábado, 27 de novembro de 2010

Àquela que se foi...

Embarcada na intensidade de pesadas nuvens cor de azul-solidão
rogo aos mortais daqui do meu ponto,
do meu porto,
do meu morro...
Velo, sentindo a ausência dos que se foram,
desejando o melhor e a luz necessária
a quem partiu...
amizades são nuvens, nunca leves, mas sempre intensas,
e a ausência dessas
revoga minha fortitude de mármore.
Frieza deixa de ser frieza,
face inerte deixa de ser inerte
e ela ainda me faz falta...
Não é glorioso reconhecer a falta
de quem faz falta, não é honroso
passar e fingir não ver...
Mas sou pedra,
e daqui do morro, porto, ponto
cubro minha face de vergonha e
permito as nuvens passar.
Elas passam, ela passa
eu fico
.

domingo, 7 de novembro de 2010

Enigma

Encostada nesses ombros sinto mais leve meu pesar
como se carregasse minhas dores e meus medos
na leveza das rosas amarelas.
Sinto-me vulnerável e protegida,
e essa duplicidade me desprotege, me auto-questiona:
sendo frágil, teimo em ser forte!
Sendo forte, forjo-me ser intocável...

Mas sendo assim, afasto e intimido os ombros que buscam minha face,
que procuram uma sutileza inexistente em mim,
que geram esperanças românticas
e se apavoram ao me revelar direta e talvez fria...
Assim se faz meu combate!
Na pinta de heroína há resquícios de fragilidade,
mas só o espelho os revela.

E mesmo que esse ombro me permita descansar
tenho medo, me refugio na solidão
e sigo a história solitária da rosa no jardim...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Fim

Se um passo eu der
se um grito soltar
se um salto eu forçar
tudo poderá ter seu fim...
Se as recordações eu queimar
se na luta eu fraquejar
se o choro fluir
minha solidão irá fruir...
Se meu abrigo desabar
se nas ruínas eu permanecer
se do pó, eu renascer
aí sim, a vida enontrará seu fim....

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tua luz, meu refúgio

Adormeci emaranhada em teus longos fios de luz branca,
branda, paraste o mundo - silenciaste os acordes ferozes -
entoados pelo pobre instinto pós pós modernidade...
Nossas únicas testemunhas são estrelas dançarinas
ausentes de coreografia alguma.
Enquanto minhas lágrimas dilaceram minha fragilidade
teus raios sangrosos compartilham da mesma dor,
da mesma solidão,
da mesma fruição...
Estes versos que saem do nosso ritual existencial
são gritos melancólicos meus,
são sussurros indecentes teus,
são as sensações fluídas pelos meus pés úmidos
firmes nestas britas azuis de solidão.
Sou capaz de abraçar-te, de encontrar abrigo e força
num copro celeste ausente de Corpo...
Embora estejamos distantes a luz anos uma da outra
sei que neste pesar escuro
tua luz alva
tua luz cândida
tua presença-ausência
oferece teus filetes de luz fria
para eu gozar do aconchego mais perfeito,
sabendo que só neles,
nos teus braços,
sou capaz de encontro abrigo...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...