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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Boca da noite



A boca da noite me beija,

num entremeio de suavidade e força,

me suga,

com  sua saliva composta de tempo e fúria

sabendo muito bem como usá-la.


A boca da noite é ácida,

nela há os devaneios marginais,

os desejos proibidos,

os segredos escondidos,

nos caminhos dos vira-latas que uivam no cio.


Se a boca da noite me toma,

num coquetel de desdenho e devassidão,

danço, rebolo, e me faço cálice:

graal sagrado e pagão

 cheinho de veneno e sabor,

e melanina e caos.


Brinco na boca da noite

recriando céus nada cristãos:

paraíso hedonista,

recanto cínico,

delírio comunista

solidão necessária

poesia,

utopia.


Afinal, não há dúvida de que

quem possua as poetas

não são outros, senão

os braços, o membro e a boca

gulosa e imensa da noite.



 


domingo, 1 de julho de 2018

...Estado reticente...

A lua sobe, e cá embaixo, na solidão da noite, busco encontrar algo que tem se mantido ausente,
silente...

Fito o céu noturno:
Lá fora, uma lua branca, inteira, cheia... Com poucas estrelas, a brisa tímida passeia.

Por aqui, mantenho-me calada, imóvel, apenas ouso respirar.
Sinto um vazio, perdida,
Sem ao menos saber navegar.
Os ruídos longínquos, quebram a parcimônia da noite, e através deles, revisito minhas ruínas.

Há vestígios em pó de medos, inseguranças, dúvidas, inquietações e tanto mais.

Estou viva.
Estou silente.
Estou ausente.

-Estado inexplicável de reticências.
...
.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nudez noturna

"Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite"
(Manuel Bandeira)

Amemo-nos na escuridão iluminada por astros e particularidades
enquanto andarilhos vagueiam pelas ruas
desbotadas de piche e fumaça,
nossa noite, nosso mundo
ambos se desnudam
a revelar mundos
contidos numa
noite
nua

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tua


"Não me cante canções do dia,
pois o sol é inimigo dos amantes.
Cante as sombras e a escuridão,
cante as lembranças da meia-noite..."
(Safo de Lesbos)
E o mistério perpassa o corpo e o universo de uma mulher:
sem luz, apenas chamas,
chama-me tua
mesmo sem eu o ser.

domingo, 4 de julho de 2010


Esta noite a lua me sorriu...
em seu trono, em seu reino
fez-se acessível, me olhou,
me sorriu!

Outrora com traços firmes como Ártemis
agora iluminada e simpática como Sophia...
fez-me esquecer dos gols, das dores, do mundo
e me sorriu!

Não enxergo nada:
nem luzes, nem portas
nem homens, nem mulheres,
senão apenas vejo o riso da dela.

Deusa aberta e sensível
a mim, minha eterna musa
até quando minha eternidade durar:
ela me sorriu!

Vi seu sorriso de lânguido raios,
de brilhantes dentes,
de lábios desenhados...

Esta noite foi ela,
foi ela quem me sorriu!

sábado, 27 de março de 2010

Tributo à Lua

Eis que frígida, surge a Imperatriz noturna, esquálida, ousando-nos encantar...
Suspensa no alto, tua belez imperando, destilando elegância, com frieza persevera...
Com autonomia seduz oa reles mortais, com luminosidade rara, a embriagar-nos estais...
Tolos versos são pra ti:
tributo mórbido em palavras pétreas;
Sou cancioneira da noite
submissa à Lua bela!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...