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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ardência

Banho de língua:
feito gata, me derreto entre a tua chupada.
Uivo, feito loba no cio:
de quatro, empino meu quadril.
Me contorço:
reencarno Lilith, a serpente que há em mim.
Ofegante, eu determino:
me dê mais, me dê intensidade, me enrosca, me deguste, me percorra...

Dos meus poros: o perfume afrodisíaco natural;
Da minha boca: beijos e mordidas;
Do meu corpo: flui o precioso mel;
Sou pimenta, ardência intensa, mulher a mil.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tomai e comei


Vem,
enrosca tua mão nos meus cachos emaranhados
usando tua força à favor da força do fomento.
Vai,
prensa tuas pernas em minhas pernas
sendo nós, nós de pares de pernas.
Vem,
lança beijos e poemas ao pé do meu pescoço
seja poeta, seja amante, seja o tudo em meu cangote.
Vai,
abala minha estrutura, desbanca minha banca
e beija minha boca.
Me toma, me beba, este é o Meu corpo,
tomai e comei...
Porque hoje me fiz fácil,
e o meu graal, abusa, que ele é teu ao menos hoje.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Apena Penas

Desafiamos a física,
a crença,
os dogmas,
os 'nãos'...
Aceitando em troca dos prazeres
os olhares,
os mal juízos,
as invejas...
Pouco importa agora,
temo-nos nesse fio de instante que é eterno.
Pouco importa se atos atraem juízos
e dessas penas, resta-nos apenas penas...
Não ligo,
não ligo,
não ligo!!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ósculo corrupto

Os lábios buscam a perfeição do ósculo,
o corpo, a dança sagrada do prazer:
a volúpia que embriaga-os,
a magia que os contagia.
A janela aberta, convida a Lua,
imperatriz alva, a banhar aqueles corpos
sedentos um do outro.
São amantes,
são noturnos,
dispostos inteiramente a se amarem...
Carícias, gemidos, espasmos
poesia, arte, ardor:
chamas flamejantes,
transfiguram o corpo dos eternos amantes.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tua


"Não me cante canções do dia,
pois o sol é inimigo dos amantes.
Cante as sombras e a escuridão,
cante as lembranças da meia-noite..."
(Safo de Lesbos)
E o mistério perpassa o corpo e o universo de uma mulher:
sem luz, apenas chamas,
chama-me tua
mesmo sem eu o ser.

domingo, 15 de agosto de 2010

Sophia, amante minha

Quando enxerguei-a nua,
ali, tão perto da minha humanidade feminina,
tão próxima da minha insignificancia,
renegando aminha ignorância,
eu a deixei me possuir.
Mas ora, como ser dela, se ela não permite ser minha?
Se ela, mesmo nua, perante mim,
não deixa que eu, sua amante,
a toque, a tenha, a possua por inteiro,
sinto logo a essência de sua frigidez.
Mas não tenho como a extinguir,
não posso tirá-la de minha vida,
sendo ela, tão essencial quanto minha própria respiração.
Comigo, tal ninfa não se porta formalmente,
mas devorá-me,
quer-me inteira!
Sou dela, e ela não é minha!
Sofro pesadas penas por nossa relação,
tenho mais algozes do que amigos,
e eles a desconhecem,
e insistem em insultá-la...
Nas aventuras, desventuras,
vou aclamando-a, amando-a
e vendo o quanto é hedônico
amá-la!!!
Sophia,
acho que sou ternamente apaixonada por ti!

sábado, 31 de julho de 2010

Sagrado ato

"Foi mistério e segredo, e muito mais...
se amar como dois animais!"
(Alceu Valença)
O ato e a potência
de sermos mais que homem e mulher,
nos fazem ser forças, bem mais que meros corpos
atraídos, enrolados, ébrios, absinto!
Dois que dançam,
dois que portam na carne
a incisão do desejo,
do prazer,
da volúpia...
Na cama, somos santos.
Na grama, pietá erótica.
Na lama, animais...
Nosso sexo é intenso e desconhecemos outra forma de nos amar!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Roubaria tuas vestes...

Roubaria as tuas vestes
para degustar de perto tua nudez,
tua alvura, tua humanidade que
tecidos pesados ousavam esconder.
Roubaria tuas vestes para sentir a quentura anulada
pelos longos tecidos...
Roubaria elas para ver-te melhor,
ver-te profundamente,
carnalmente, humanamente!
Despiria teu corpo, tua máquina, e nela reacenderia
as chamas que o tempo apagou.
Faria-o essencialmente humano, motivo de gozo,
de ardor, de luz...
Faria uma inebriante fogueria com tuas nefastas vestes,
rasgá-la-ias, para que pagassem cruelmente
o crime de terem escondido a brancura de tua pele a tanto tempo.
Diante de ti, dançaria juntamente às brasas,
mostraria-te a leveza de um corpo nu,
extinto de vestes, de pudores,
de rudez...
Faria-o dançar, levitar e corporalmente filosofar!
Resgataria tudo aquilo que outrora
tuas vestes renegara,
reeducaria teu corpo,
pintaria tua alvice com chamas inebriantes,
faria-o levitar!
Volúpias e devaneios o possuiriam
e logo fugiríamos do real, para junto às nuvens
eu, teu corpo tocar...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Puta nostalgia...

Acordei,
pena que a cama estava realmente vazia,
nela jaziam os lençóis que outrora teu corpo perfumava,
teu espaço sempre determinado...
teu desenho que se completava ao meu!

Acordei na imensidão da cama que foi feita pra nós,
do espaço onde cabia a nossa pequenez,
a nossa extensão,
o nosso chamego,
e de repente, sem saber ao certo por quê
quis acordar sozinha!

Quis imperar pelo espaço que julguei precisar,
quis voar longe por minha liberdade
quis amar Narciso,
escolhi a mim!

Nessas manhãs então, onde teu cheiro me incomoda
onde meu corpo insiste pelo teu sexo,
corro e amo a ducha...
mas sei que eu me basto!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Este seio que aqui, diante de ti está desvelado
transpira vapor emana desejo...
deste mesmo seio que outrora homens nus já se deleitaram
hoje permanece intacto, virgem, nu.
De mamilos róseos, de pele morena
de fantasias realizadas e outras ainda a se realizarem,
de dóceis traços, de silhueta simples:
aqui mesmo me revelo,
me desvelo,
me dou,
sou.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Se ainda (n)esta noite

Se ainda esta noite puderes contemplar o céu
e se saudoso o teu corpo querer o meu
peça às estrelas que te guiem
e te façam pousar aqui.
Se ainda nesta noite fria, pacata e mórbida
a lua não nos unir
direi na linguagem do desejo
o quanto necessito de ti.
Só tu, cavaleiro andante
apazigua meus hormônios,
acalma meu corpo e me vira a cabeça.
(...)
e se mesmo a lua lançar
sobre nós sua carícias frígidas,
seus segredos, meus desejos...
Pedirei,mesmo em pensamento
que ainda esta noite, algo conosco aconteça.

domingo, 4 de abril de 2010

Alguns quereres


Eu quero você aqui bem perto de mim,
quero seu corpo a me servir
quero teus beijos
teu falo
tu.

Eu quero mais uma vez degustar a tua seiva,
quero tua língua
tuas mãos
tua boca
tu.
Eu quero que me penetres
prazerosamente
na carne
no corpo
na flor.

Mas não, não te quero pra sempre,
quero-te somente agora
pra devorar-te
abusar-te
usar-te
Somente isso e mais nada...

sábado, 3 de abril de 2010

Meretriz

Não queira mais embeber-te em meu seio negro, dele flui apenas veneno.
Não ouse mais tocar-me, não mais deguste a seiva vinda de minhas entranhas...
Meu corpo, minha boca, meus seios, minha flor,
são eles obra prima do pecado maior,
dos embustes do sexo,
das entrelinhas do prazer.

Não, não mais deleite-se em meu gozo,
e de minhas carícias não mais delire...
Não, não sinta meu perfume, não toque em meu rosto,
recuse o enlace oferecido por meus braços.
Aprenda, não se troca prazer em troca de nada...

Minhas curvas são perigosas, meu líquido, é suco de cicuta
minha vida é assassinato,
meu corpo, serviço do diabo...

Aventuras


Querer desvendar os infinitos mistérios
camuflados, que detectei no seu rosto
são exuberantes e obscuros,
mas mesmo assim quero penetrá-los...


Após descoberta tuas verdades
soltá-las aos quatro ventos de minha ingratidão, de minha frieza
que você como ninguém mais
conhece muito bem.

Como o amei, aprendi também a detestá-lo
ao perscrutar a sua imundície interior,
me aventurei, caí, tombei e,
desvendei seus mistérios...

Sobre suas injúrias, fiz promessas
tão verdadeiras quanto sua falsa identidade.
Aventuras, viagens, bagagens, ilusões:
todas elas ficaram como medíocres recordações!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Corpos nós

(...)
o prazer em tê-lo refloresce em meu semblante
tal qual a luminosidade de uma tarde de verão.
Busco degustá-lo, devorá-lo
bebê-lo, consumi-lo...
Entro em transe com sua ereção
- me ame, me ame,
nesta intensa situação.
Há horas portanto, deixo-o ir
e em meu espaço ponho-me a refletir:
Não sou culpada, vítima ou meretriz,
sou atentada aos calorosos prazeres sutis.
Sendo outra ou não,
sou o que sou sem maior objeção...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...