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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rosas arrancadas

Arranquei as rosas e as pus sobre mim.
Não me deti às dores causadas pelos espinhos,
ao aroma que exalavam,
às cores que pulsavam...
Arranquei as rosas e as pus sobre mim:
não feri minhas mãos tanto quanto meu coração,
não sujei-as tanto quanto meus pés,
mas as arranquei...
Nem por amor, nem por dor,
por nada,
apenas por meu querer,
pra satisfazer meu ego
e vê-las,
junto a mim, faceler...
arranquei as rosas e as pus sobre mim:
para amenizarem minhas dores,
sanar as carência,
apagar as ausências
e me ouvirem falar.
Eis o único motivo simplório
pelo qual matei-as:
matei-as para verem elas também o meu sucumbir...

sábado, 27 de março de 2010

Lágrimas de Maria


Daqueles olhos corriqueiros
lágrimas fluíam como mel
em prantos,
um rosto deformava-se
e o passado voltava como fel.
Daquele rosto de boneca
o soriso ausentou,
de delírios e lembranças
a própria vida findou...
Das lágrimas o pesar,
no coração somente dor,
na imagem, o desperdício:
mais uma mulher que sofria por amor!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...