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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Apena Penas

Desafiamos a física,
a crença,
os dogmas,
os 'nãos'...
Aceitando em troca dos prazeres
os olhares,
os mal juízos,
as invejas...
Pouco importa agora,
temo-nos nesse fio de instante que é eterno.
Pouco importa se atos atraem juízos
e dessas penas, resta-nos apenas penas...
Não ligo,
não ligo,
não ligo!!!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pecar?

Espiada por olhos negros
a pele, entrelaçada como qual uma rede de pescar:
pesca corpos, pesca libido, pesca pecado.
O seio desejoso de toque,
a matéria que se retorce,
a santidade que se esvai no topor do momento
evapora...
Que será santidade, senão fantasia?
Diga-me então: pode o teu pecado ser meu?
Sem complexidades o ser humano não sobrevive,
e só de fundamentalismo um puritano gladia com um ignorante.

Deixe que esses olhos nos devorem
e na falta do que fazer, a moral
se recolha, fuja
e não mais volte bater em nossa porta!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Canção de admiração


Colos alvos despidos
entre faces,
lances,
nuances de um universo multicor
Cabelos esvoaçantes,
lábios rubros
corpos lâguidos,
olhos cerrados,
cânticos entoados.

São arcanjos,
reluzentes,
endiabrantes,
cujas formas enfeitiçam
resvalam poder,
(re)formas,
desfazem tabus:
fogem do norte, preferem o sul.

Não creio nas canções dos poetas, nos depoimentos do boêmios,
nas juras simplórias do macho imponente...
O que vejo, o que sinto, o que desejo
simplesmente perante esses colos alvos nus
são migalhas valiosas,
são cânticos interiores,
transgressores,
recordações cravadas
de quem não é musa
mas revela em seu canto sua admiração e o poderio de se ser mulher.

domingo, 8 de agosto de 2010

Nua

Resolvi me portar nua
lançadas as algemas do pudor
minha pele como nunca é capaz de sentir
o trafegar da brisa por entre os poros,
de empiricamente comprovar que o sol
quando aquece, também pode queimar.
Resolvi me apresentar sem máscaras,
sem tecidos, mas cheia de medos,
de fragilidades, de lágrimas que outrora petrificadas
hoje escorrem à luz do dia.
Não quero a liberdade, não quero voar,
nem mesmo sumir,
quero somente na simplicidade complexa do meu ato de existir
ser o que sou, corpo e alma,
mulher, amada e amante...
Não almejo nada senão o agora...
Ser hedonista, o que importa é mesmo viver.
A que lado estou encaminhando minha existência?
Até onde já fui capaz de compreender minha essência?
Minha nudez fala por mim!
O frio que sinto, o calor que gozo,
a brisa que passeia em mim,
eles não são tão importantes,
mas sei de fato que o que realmente importa
é a leitura que faço de tudo o que me cerca.
Ressignificar... ler... recriar:
transgredir!
Mais que nudez,
meu corpo descoberto revela
a chama da vela que clareia o meu ser:
ser Ser, sendo... só!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fruto pro(l)ibido

Do rubro fruto colhido carnalmente
o sumo puro do feitiço da história,
de latente sabor, impregnado na memória...
eis assim, a construção da mullher.
Repudiada e sempre lembrada
pelo poder de seu agir,
subjulgada, submissa,
teve em seu corpo estampado
a medalha do pecado.
Mas antes de mero corpo,
grande alma também é feita,
intelecto, corpo,
pecado e santidade...
Mas deste mesmo fruto, pode-se emanar
a libido, a luxúria,
e a tantos faz gozar,
como também a inteligência
de seu leve e presente Ser e Estar.
Mulher,
fruto da árvore do conhecimento
contrário ao Gênese,
tu, a tantos pode ensinar, amar, gozar...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Roubaria tuas vestes...

Roubaria as tuas vestes
para degustar de perto tua nudez,
tua alvura, tua humanidade que
tecidos pesados ousavam esconder.
Roubaria tuas vestes para sentir a quentura anulada
pelos longos tecidos...
Roubaria elas para ver-te melhor,
ver-te profundamente,
carnalmente, humanamente!
Despiria teu corpo, tua máquina, e nela reacenderia
as chamas que o tempo apagou.
Faria-o essencialmente humano, motivo de gozo,
de ardor, de luz...
Faria uma inebriante fogueria com tuas nefastas vestes,
rasgá-la-ias, para que pagassem cruelmente
o crime de terem escondido a brancura de tua pele a tanto tempo.
Diante de ti, dançaria juntamente às brasas,
mostraria-te a leveza de um corpo nu,
extinto de vestes, de pudores,
de rudez...
Faria-o dançar, levitar e corporalmente filosofar!
Resgataria tudo aquilo que outrora
tuas vestes renegara,
reeducaria teu corpo,
pintaria tua alvice com chamas inebriantes,
faria-o levitar!
Volúpias e devaneios o possuiriam
e logo fugiríamos do real, para junto às nuvens
eu, teu corpo tocar...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Vivo despida de preconceitos e ilusões, à luz da verdade..."
(Luz del Fuego)
Incendeia...
Ilumina...
Clareia!
A voz engasgada, os desejos enrustidos,
a falsa moral pregada
crucifica e martiriza quem ousa transgredi-la.
Incinera...
Abrasa...
Arde...
O corpo tranformado em desgraça,
intérditos por ele todo lançado.
O pequeno problema é que somos todos massa corpórea...
À fogueira aqueles que marginalizam
mas ao mesmo tempo o degustam.
Despir antes os pudores para desnudar o corpo e a mente!
Sejamos Luz e Fogo...
PS: à grande mulher vítima de perseguição por desconsiderar os pudores de seu tempo, aprendamos todos com Dora Vivacqua, condinome Luz del Fuego

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nossa sentença

As convenções são farsas
que intimidam nossos desejos
os quais são doce como pecado
teus deliciosos beijos.
Se assim tivermos pregado
heresias contra a moral
inclusive no inferno, em chamas
nossos corpos arderão.
Sejamos portanto livres
sem mácula de culpa alguma
pois mesmo em pecado
o céu por nós será tocado...


segunda-feira, 29 de março de 2010

Eu mulher, ela estrela

Lá no alto, na longíqua abóboda escura, avistei cá de baixo um brilho estonteante, dentre tantos corpos celestes, apenas ela me encantou. Tímida, mas nem por isso apagada, lançou sobre mim seu brilho, seu gozo, seu ser... Fui seduzida por uma estrela pequenina, por uma estrela que talvez nem exista mais no Universo, mas seu reflexo transcende a imensa distância de anos-luz. Aqui em baixo, deitada nessa relva úmida, deixo-me ser tocada, acariciada pela luz frívola, mas inensa dessa estrela que me atrai. O tempo entre nós não passa... O tempo é o AGORA... e enquanto nos amamos,nos enlaçamos, nos damos uma à outra: eu mulher, ela estrela, findamos a distância real que nos aparta e em instantes, entrelaçados nossos corpos, estamos eu-ardente, ela-estrela.
Não há distância...
Não há tempo...
Não há realidade...
Há somente o impossível subversimante na pele do possível!
E as tantas outras estrelas, e os tantos outros mortais, a espreitar-nos estão, arremetidos pela inveja, pela frustração de não terem corajem suficiente de se despirem assim como eu, asim como a estrela. Não, não possuem a força voluptuosa para enfrentarem os olhares curiosos, lançadores de juízos, portadores das telas convencionais. Não, não assumem seus quereres, não revelam-se como são, fazendo da vida de gozo e possibilidades uma morte de angústia e solidão.
Para nós, mulher e estrela, não é necessário relógios, regras,linguagem. Não é necessário leis, gramáticas, constituições... a nós, basta-nos apenas a vida e a liberdade, a corajem, o sonh tornado possível, a magia do agora, a sensação do toque, a realização do ato! Sem romper os grilhões, sem quebrar as máscaras, sem tirar as vendas que a sociedade e suas convenções nos põe, a estrela premanece estrela, nós tão frígidos quanto ela, não passamos de reles mortais...
"Viver o instante, degustar o agora,
é desafio exclusivo à existência de raros...
eu mulher, ela estrela,
ambas existimos na mesma atmosfera!"

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...