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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Insônia

Insônia
(Cláudia Martins)

ouvindo Beatles, escrevendo um pouco,
um gole de vinho...

Falta um trago
num cigarro, e 
outra boca:

-Ah, essa vida é
mesmo solitária
e louca.

domingo, 1 de julho de 2018

...Estado reticente...

A lua sobe, e cá embaixo, na solidão da noite, busco encontrar algo que tem se mantido ausente,
silente...

Fito o céu noturno:
Lá fora, uma lua branca, inteira, cheia... Com poucas estrelas, a brisa tímida passeia.

Por aqui, mantenho-me calada, imóvel, apenas ouso respirar.
Sinto um vazio, perdida,
Sem ao menos saber navegar.
Os ruídos longínquos, quebram a parcimônia da noite, e através deles, revisito minhas ruínas.

Há vestígios em pó de medos, inseguranças, dúvidas, inquietações e tanto mais.

Estou viva.
Estou silente.
Estou ausente.

-Estado inexplicável de reticências.
...
.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bruta flor

Digam aos colibris que semeiam beijos por aí
que há uma flor, bruta flor, sem beijo,
sem pétala, só...
Digam aos colibris que o vento saídos de suas asas
acabara de se tornar o sonho de certa flor, bruta flor...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O berço do kaos

Aqui nesta solidão cultivo apenas um querer...
Agora, neste exato instante alimento um único e mísero desejo...
Ah, esta noite 'setembrina' de intenso calor, de céu límpido,
de lua nova, de pequeninas e diversas estrelas a luzir.
Ah, esta noite em que o luar se faz tão claro, tão evidente
resgatando lembranças de um tempo bom,
trazendo a companhia querida dos amigos,
os sorrisos que foram soltos em tantas noites passadas,
ah, noite que me traz o movimento da dança,
o gole de vinho,
a filosofia em aula,
e o paraíso numa sala...
Havia naquele tempo um pequeno lugar encantado,
cujas paredes abrigavam o kaos,
era simples, o lugar, mas era um bom lugar.
Talvez não volte mais lá, talvez o 'eu' de outrora não exista,
talvez aja bastante 'talvez' ou talvez não aja mais nenhum...
Boas companhias, algumas mal encaradas,
outras cômicas demais,
e outras ainda pacientes demasiadamente.
Reviro meus papeis e neles restauro minhas esperanças,
um verso solto dá lugar a mais outro,
e recordo-me novamente o tal lugar:
talvez cafofo, talvez cafil,
-sim, este era o lugar...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu sinto o sol

Aqui desse planalto, navegando num céu mais que límpido
sinto o sol...
Sinto a maneira como ele queima meu corpo,
me energiza, me fortalece.
Meu elemento é o fogo,
e deitada sob o sol sinto-me feliz...
a Terra gira em torno do sol,
o sol chega até nós,
e na grama seca, na umidade baixa,
aquecida,
esquecida,
sou mais uma mera mulher sob o sol...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

...

Que os medos enrustidos em meu corpo
não me façam perecer...
Que o íntimo chagado, ferido
mais que dores, resultem também em aprendizado...
Estas lágrimas, que não cabem nesses olhos
regue sonhos vindouros...
O que fui, fui...
O que há por vir, virá...
São momentos pessoais, asas renascendo,
crises, tristeza,
por isso não me peçam um riso falso,
uma satisfação inexistente,
ou qualquer ato que não seja verdade,
pois a intensidade da vida consiste na verdade que nós damos a ela.
- Silêncio, eis agora meu amigo

domingo, 6 de março de 2011

blOco mEu

Blocos nas ruas, corpos juntos,
amontoando-se, acalorando-se...
Burburinhos, exaltações
solidões escondidas nos frevos,
nos sambas carências,
nos passes, segredos.
Eu aqui...
navegando num bloco solitário,
reconhecidamente só.
Numa manhã qualquer
lá fora o carnaval se realiza,
aqui, ao som de sofreguidão,
o orvalho me banha
tentando eu dizer ao silêncio
quem sou.
Sou bloco solitário,
reconhecidamente só...
Bloco do eu sozinho, como já disseram por aí!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Grito

Pintar cada pingo de chuva com a cor que se quer
é mais audacioso
que deixá-las em branco.
A solidão de cada qual
é o canto profundo de cada ser:
pisar em flores mortas
mesmo estas estando no jardim à beira da porta.
Vizinhos se aprochegam,
espiam, e mesmo curiosos
não conseguem entrar...
São segredos, flores mortas,
que não interessa a ninguém saber:
Senão eu, senão tu...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu e ela


Há horas que a Lua me alcança
Há horas que eu alcanço ela
E nessas horas
A solidão me desvela
.

Guardiã

Eis os pesos de se guardar a madrugada
de não cerrar os olhos perante as mordaças pueris do tempo
de se permitir velar o sono do mundo, das horas...
Saber que estas, as horas,
voam,
são consumadas até as últimas gotas
gotas d'água,
gotas oníricas,
gotas reais!
E o sol surge há findar minha aquarela...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Anti-notícia


"Porque a dor da gente não é noticiada no jornal..."
(Artur da Távola)

Menos mal...
Não é noticiada, mas é compartilhada:
não por mortais, mas pela lua que me banha
com sua luz branca e fria.
Porque a dor da gente é sentida,
curada e esquecida.
Menos mal...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rosas arrancadas

Arranquei as rosas e as pus sobre mim.
Não me deti às dores causadas pelos espinhos,
ao aroma que exalavam,
às cores que pulsavam...
Arranquei as rosas e as pus sobre mim:
não feri minhas mãos tanto quanto meu coração,
não sujei-as tanto quanto meus pés,
mas as arranquei...
Nem por amor, nem por dor,
por nada,
apenas por meu querer,
pra satisfazer meu ego
e vê-las,
junto a mim, faceler...
arranquei as rosas e as pus sobre mim:
para amenizarem minhas dores,
sanar as carência,
apagar as ausências
e me ouvirem falar.
Eis o único motivo simplório
pelo qual matei-as:
matei-as para verem elas também o meu sucumbir...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Simples canção

Esta canção vem falar das acusações,
das portas fechadas,
das amizades idas,
das lágrimas perdidas...

Esta canção fala das tristezas,
dos acordes, desacordos,
manias de solidão,
refúgios em vão(s)...

Cancioneiro debruçado
recordando aos fatos,
remoendo os erros,
perfurando, entre farpas, os dedos.

Esta é minha canção,
sem métrica, em sons...
Esta é uma canção,
falando apenas da solidão!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Meus demônios



"Há pensamentos que são orações.

Há momentos nos quais seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos"

(Victor Hugo)


Em tardes de tempestade, onde os ventos despenteiam as ávores, e brutalmente, atiçam o movimentar pueril, fazendo do céu nublado o protagonista que chora, que de prantos longos e intensos molha a terra, as casas, as mentes, os eus. Aqui na caneca, meu chá quente de gengibre e limão buscam encontrar minha dolorida e rubra garganta... um gole, doi! No segundo... mais dor! E o terceiro, não tão diferente dos outros, é como se sangrasse o canal por onde perpassa minha voz. Mas que voz? Nesta tarde não tenho nada à dizer, senão o silêncio portador do auto-conhecimento. O silêncio que reconhece as feridas, que dialoga com os demônios, que reflete sobre a insanidade dos meus atos. A chuva cai... e as lágrimas desse sujeito que aqui vos fala, não caem nunca! Nem em dias nublados, nem ao sol... no escuro talvez, mas hoje, hoje não!

Um chá quente, um livro de Goethe, uma rede e um edredom: esqueci-me da dor, e lembrei-me das dores. As dores que os demônios sussurram, que os eus escondem, que o mundo exterior tenta perscrutar mas não alcança. É nesse duelo, dor e dores, chá e frio, chuva e sol, que faço arder minha alma, que provoco meu corpo, que deixo de ser mulher, para me tornar universal: ser humano, assim o sou nesta tarde chuvosa...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Fim

Se um passo eu der
se um grito soltar
se um salto eu forçar
tudo poderá ter seu fim...
Se as recordações eu queimar
se na luta eu fraquejar
se o choro fluir
minha solidão irá fruir...
Se meu abrigo desabar
se nas ruínas eu permanecer
se do pó, eu renascer
aí sim, a vida enontrará seu fim....

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dura existência


"Porque o passado me traz uma lembrança
do tempo que eu era criança
e o medo era motivo de choro
desculpa pra um abraço ou um consolo..."
(Cazuza e Frejat)


Nas noites em que o escuro me sufoca,
eu o intimido e o transformo em luz...
Enquanto monstros horripilantes se abrigam em meu armário
salto da cama, e os transformo em sem teto...
E se a cuca busca me fazer de refeição,
convenço-na a ser vegetariana...
Mas enquanto mostro aos meus medos
a coragem que tenho diante deles,
meus medos mostram-me o quanto
eu consigo disfarçar muito bem.

Há quem afirma sua covardia
e há quem a esconda.
Há quem chora às claras,
e há quem derrama lágrimas somente no escuro:
mas não importa, não importa!
Em todas as pessoas cabem lágrimas e medo...

domingo, 4 de julho de 2010


Esta noite a lua me sorriu...
em seu trono, em seu reino
fez-se acessível, me olhou,
me sorriu!

Outrora com traços firmes como Ártemis
agora iluminada e simpática como Sophia...
fez-me esquecer dos gols, das dores, do mundo
e me sorriu!

Não enxergo nada:
nem luzes, nem portas
nem homens, nem mulheres,
senão apenas vejo o riso da dela.

Deusa aberta e sensível
a mim, minha eterna musa
até quando minha eternidade durar:
ela me sorriu!

Vi seu sorriso de lânguido raios,
de brilhantes dentes,
de lábios desenhados...

Esta noite foi ela,
foi ela quem me sorriu!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tua luz, meu refúgio

Adormeci emaranhada em teus longos fios de luz branca,
branda, paraste o mundo - silenciaste os acordes ferozes -
entoados pelo pobre instinto pós pós modernidade...
Nossas únicas testemunhas são estrelas dançarinas
ausentes de coreografia alguma.
Enquanto minhas lágrimas dilaceram minha fragilidade
teus raios sangrosos compartilham da mesma dor,
da mesma solidão,
da mesma fruição...
Estes versos que saem do nosso ritual existencial
são gritos melancólicos meus,
são sussurros indecentes teus,
são as sensações fluídas pelos meus pés úmidos
firmes nestas britas azuis de solidão.
Sou capaz de abraçar-te, de encontrar abrigo e força
num copro celeste ausente de Corpo...
Embora estejamos distantes a luz anos uma da outra
sei que neste pesar escuro
tua luz alva
tua luz cândida
tua presença-ausência
oferece teus filetes de luz fria
para eu gozar do aconchego mais perfeito,
sabendo que só neles,
nos teus braços,
sou capaz de encontro abrigo...

sábado, 17 de abril de 2010

Andança


Saí andando pelos asfaltos de Taguá, levantando poeira, enchendo meus pés de pó, partindo da UCB, indo pra não sei onde. Carros, máquinas, fios, postes... edifícios enormes tampam o céu e até mesmo as nuvens pedem para serem vistas. Os centros comerciais daqui vendem a mesma porcaria em qualquer outro lugar do planeta, as regras intimidam, podam, padronizam... E eu onde estou?

Estou na estrada, mochila nas costas, cansaço nas pernas, sonhos e filosofia na mente!

Chutar pedras, pescar palavras, conversar com estranhos, tão estranhos quanto eu para os outros... Ser assim, ir assim, caminhar por aí...

Estradas da Grande Nave, aguardem-me... estou de saída pra não sei onde.

Apenas vou, vou buscar o que nunca tive, procurar o que não se encontra, dar o que eu não tenho, mas mesmo assim vou!!!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...