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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tic tac


Perguntei a um transeunte:
'que horas são?'
e com naturalidade, sem espanto, sem reflexão algumas,
respondeu-me:
'são noves horas'
...
Ouvi os sinos da igreja mais próxima soarem, e
em questão de segundos julguei
ser aquele momento imortal.

Mas que horas são?
Meu relógio não marca as horas,
não há ponteiros e nem tão pouco números nele,
meu relógio não escraviza esses vestígios de tempo
na realidade, sequer sei se o tempo existe!
Meu relógio bate bem aqui,
interiormente
sem cordas alguma,
ele é extremamente carnal...
Ninguém o conhece,
ninguém pode vê-lo,
talvez seja sempre atrasado,
não corre nunca!
Mas a imortalidade de suas horas
dura somente o agora:
o agora é sempre sua hora!

sábado, 17 de abril de 2010

Andança


Saí andando pelos asfaltos de Taguá, levantando poeira, enchendo meus pés de pó, partindo da UCB, indo pra não sei onde. Carros, máquinas, fios, postes... edifícios enormes tampam o céu e até mesmo as nuvens pedem para serem vistas. Os centros comerciais daqui vendem a mesma porcaria em qualquer outro lugar do planeta, as regras intimidam, podam, padronizam... E eu onde estou?

Estou na estrada, mochila nas costas, cansaço nas pernas, sonhos e filosofia na mente!

Chutar pedras, pescar palavras, conversar com estranhos, tão estranhos quanto eu para os outros... Ser assim, ir assim, caminhar por aí...

Estradas da Grande Nave, aguardem-me... estou de saída pra não sei onde.

Apenas vou, vou buscar o que nunca tive, procurar o que não se encontra, dar o que eu não tenho, mas mesmo assim vou!!!

domingo, 11 de abril de 2010

Conflito


Enquanto deixamos nossos prazeres passarem, a morte aproxima-se mais de nós.
Enquanto o sistema nos engole, a vida perde sua autonomia, tornando-nos mais infelizes.
Por que então lutar no mesmo intuito, correr a vida inteira por coisas banais?
Por que então, cessar os sonhos e comodamente contentar-nos com o real?
Acatar em vão o drama, e do sorriso não restar nem mesmo os dentes?

O espelho nos encara e seu reflexo não nos reflete!
Mas ainda teimo em me encontrar,
em me perder nos meus instintos,
em gozar dos meus prazeres...
Pouco importa se me rotulam de hedonista, de empírica, de quimérica...
O que mais me importa então, é esse não viver somente presa à realidade...
mas inventar, recriar e estar em tantos mundos, mudos:
me reconhecer em todos eles!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...