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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vida (as)Sim

Tal como pétala perdida da flor,

tal como folha ressequida em beira ao inverno,

alvo chão,

neve,

o alvo não é o chão...

Antes da queda, o voo,

antes da perda, a evolução

antes só para se auto conhecer

do que desconhecido de si, mas acompanhado...

Tal como a folha esquecida no chão

que experimentou e desvelou

o que se quis

Assim é a vida, tal e qual a vida que se tem uma só.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem era ela?


Durante esta manhã, olhava uma moça,
de cabelos negros e olhos vivos, era-me conhecida ela.
Na inquietude de seu corpo, de seu portar misterioso,
de seu colo magro e instigante, pude ver que emanava desejo e magia,
feminilidade, potencialidade... poesia.
Deixei-me levar por seus traços hostis, por seu desenho feito à grafite,
sem cuidado, tamanha rudez a envolvia, e eu olhava-na...
reconhecia-na de algum lugar, mas de onde?
A manhã foi seguindo, meio ensolarada, meio encoberta,
porém encoberta era a figura que meus olhos não ousavam desencarnar.
Aparentemente forte, a reconheci de meus sonhos utópicos,
de meu baú repleto de quinquilharias,
das recordações de minha infância já desbotada...
Quem era ela? Quê era ela?
Não sei, não sei, mas sei que seu semblante enrustido em mim está.
Talvez ela seja eu, seja o sonho meu sobre mim mesma...
Quem sabe?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vida

O que chega à mim senão luz
o que me atrai senão cores
o que me mata senão a morte...
Aquilo que me intriga,
aquilo que me devora,
aquilo que me amedronta,
aquilo que não sei o que é...
Deixar ir e voltar,
gozando do movimento, do calor
pois a vida é mesmo assim,
não se pode ficar parado
e nem mesmo correr demais!

sábado, 6 de novembro de 2010

Cara pintada

E dizem que um certo olhar não intimida ninguém...
Que as marcas da face não suscitam perguntas...
que o sorriso escondido, enigmático, é só tristeza...
que o chapéu na cabeça
é apenas mais uma forma de esconderijo...

Se os olhos gritam,
se a face não fala,
se o sorriso vai além do riso
e se o chapéu não é tirado,
não há problemas...
pois a dança que nos move
é transmitida além das aparências.

Mais vale uma face alvi-negra repleta de mistério
do que uma aquarela sem respingos de magia.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Meu ar



Porque é deste ato que eu sobrevivo,

porque são dessas asas que saem meu voo,

por causa delas, poesias minhas,

que sobrevivo nesse mundo imbecil.


Cada verso sou eu.

Cada verso contém sangue, lágrima,

dor, riso!

São as minhas brincadeiras mais sérias...

e talvez, as únicas que realmente dizem sobre mim.


Se sou ou não feita de palavras,

isto eu não sei.

Se escrevo divinamente ou ignorantemente,

também não sei.

Sei que a poesia existe,

existe em mim e pra mim!

Sem elas, sinto-me borboleta com asas...

asas sempre vazias!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eu

Aqui estou mais próxima da minha loucura,
aqui encontro-me com minha vaga lucidez,
aqui escondo minha face,
aqui revelo quem sou:
não há portas, maçanetas, chaves,paredes...
Não há homens, nem mulheres,
algozes e benfeitores,
nem tão pouco astros e entidades simplórias.
Aqui, nesta carne que se move,
neste corpo que salienta-se,
há um EU humano,
sem gênero, sem sexo, sem classe, sem ofício:
Eu corpo, Eu espírito,
Eu deus, EU deusa,
Eu tudo - Eu nada

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dura existência


"Porque o passado me traz uma lembrança
do tempo que eu era criança
e o medo era motivo de choro
desculpa pra um abraço ou um consolo..."
(Cazuza e Frejat)


Nas noites em que o escuro me sufoca,
eu o intimido e o transformo em luz...
Enquanto monstros horripilantes se abrigam em meu armário
salto da cama, e os transformo em sem teto...
E se a cuca busca me fazer de refeição,
convenço-na a ser vegetariana...
Mas enquanto mostro aos meus medos
a coragem que tenho diante deles,
meus medos mostram-me o quanto
eu consigo disfarçar muito bem.

Há quem afirma sua covardia
e há quem a esconda.
Há quem chora às claras,
e há quem derrama lágrimas somente no escuro:
mas não importa, não importa!
Em todas as pessoas cabem lágrimas e medo...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ser aquilo que sou... mais nada!


O que poderia eu ser, senão aquilo em que me tornei?
O que poderia eu ser, senão aquilo que sou agora?
Como me contentar com aquilo que não faz parte de minhas escolhas e gostos?
Desperdiçar a vida a vida buscando as escolhas dos outros, desgastando o pouco tempo que me resta com a opinião e o parecer de quem não sou eu... Isso não cabe à minha vida, e talvez nunca caberia! Não conseguiria me sufocar a tal ponto, e deixar que meu oxigênio fosse composto pelo gás carbônico daqueles que permanecem a espreitar-me por pura especulação. A planta de dia fornece oxigênio e ao cair da noite, ela inverte o papel: no lugar do ar sadio, ela solta disfarçadamente gás carbônico. Não sei sobreviver segundo a fotossíntese dos outros, vivo segundo o tilintar sobressaído do meu peito.
Este modo de viver é duro e ousado, perigoso!
Incompreensível... somente eu sei quantas torturas e desafios é preciso enfrentar para ser aquilo que sou e mais nada. Fugir dos padrões e construir o que sou, o que somos, é viver exilado, marginalizado, extinto de um estilo de vida pregado pela mídia e pelo sistema devorador de autenticidade.
Digamos não à padronização humana!
Digamos sim à essência de cada sujeito!
Sejamos aquilo que somos... e mais nada!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...