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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Auto-destruição

Desbotada, faleceu nas mãos do próprio assassino.
Amarrotada,
serviu-se de lixo ao próprio amante...
Assim segue-se o ciclo,
fabricar, consumir,
trabalhar pra consumir...
Estuprando a natureza,
violando os recursos,
revertendo sangue em petróleo,
ar em fumaça,
saúde em gás...
Manchar, machucar e vender
Murchar, 'merdear' e comprar,
contínuo mantra executado,
contínua morte encaminhada...
E o caminho do exílio pertence à todos!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Presente


Ofertaram-me o fruto da fertilidade
donde de si, fluiam raios perfumados
energias vitalícias
sabor de poesia.
Ofertaram-me a singeleza de uma flor
um rebento que não se rebentou,
e aos meus pés se deixou cair.
Logo a mim,
ser de extraordinária ignorância
de imensa deselegância,
de cantar desafinado
e versos desritmados...
Ofertaram-me algo,
logo a mim,
mente insana,
moça interiorana,
logo a mim!
Mas perante este presente íntimo
lançarei meu canto futuro ínfimo:
agradecida, lisonjeada,
eis em minhas frágeis mãos
a oferta que a natureza me ofertou.

sábado, 2 de outubro de 2010

Chuva que lava, que leva... que rega!

Depois de longa sequidão,
nesta manhã, o céu abriu seus portais!
Fertilizou o solo, com gotas que caíam lentamente...
intensamente!
Cada planta, cada folha verde
cada ser vivo se abriu ao úmido espetáculo...
eu me abri!
Ali, prostrada na terra molhada,
recebendo a dádiva fertilizante, deixando escorrer por entre minha face molhada
a mesma água que fecunda a Mãe,
que rega as plantas,
que lava, que leva...
Diante a chuva,
diante o céu nublado carregado de pesada nuvens,
eu me prostrei,
me deixei lavar,
levar...
e a chuva continuou a cair, me regou, fertilizou a mim e à Mãe Terra.
E fomos uma mais uma vez...
Benditas sejam as gotas dessa chuva que cai,
que nos rega, que nos molha,
que nos lava, que nos leva.

domingo, 26 de setembro de 2010

Fato



O calor dos trópicos é infernal:

quente, muito quente...

mas de onde tiraram a ideia de que o inferno é quente?

Deve ter sido algum frígido europeu...


O calor dos trópicos é celestial:

quente, muito quente...

afinal, estamos mais próximos do sol!

Será?


O calor dos trópicos é natural:

quente, muito quente...

Emitimos gases na atmosfera

para no final, matarmos a nós mesmos.

Fato.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Assassinato


Mataram mais uma filha...
deixaram novamente a mãe triste...
escureceram ainda mais o pulmão do grande globo...
e a fumaça nos devora agora!

Mais uma árvore morreu, fora assassinada
por um filhote de trator...
por uma obra humana...
e ninguém chorou!

O ventre natural está ferido
está sendo cada vez mais vilipendiado,
e seu choro soa aos meus ouvidos
e suas dores doem em meu peito!

Até quando?
Até quando todo o verde for revertido em massa cinzenta...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...