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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

à espera

"Sou cria da poesia que vem das ondas do mar,
se o meu canto é de Oxóssi, por isso é que sou forte..."

Ela habita ainda em mim,
sinto-a longínqua, morna,, indecisa,
talvez. adormecida...

Mas sei que ainda não nos rompemos,
nos distanciamos pelo cotidiano
e por ele mesmo havemos de nos encontrar...

Toma-me bruscamente, novamente,
como outrora me arrebatavas, e por ora:
faz-me porta voz de tua doce eloquência,
de tua desvairada canção,
de tua nobre rima,
tu, poesia,
me abandone, jamais,
não!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Só mais um desabafo...


Posso querer que o mundo pare,
que as lágrimas cessem,
que as palavras calem;
Posso pedir o silêncio recheado de amargura,
posso sonhar em fugir, e 
de fato, voar pra bem longe,
posso querer tudo,
posso sonhar tudo...
Só não posso fazer do meu desabafo
um motivo a mais para que o sol não nasça...
Posso desabafar, e em mais um entardecer
suplicar por forças, suplicar por amor,
mas não posso fazer com que minhas queixas parem o mundo,
o estatize...
Seguimos: eu, o mundo e meu desabafo,
só não podemos nos dar o luxo
de, em desabafos, desabar 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Eu (d)eus eu

Perdida em mim, por aí,
voltas e voltas, permaneço ali... aqui.
Eterno retorno, devir, ciclo hermenêutico... será?
Num canto, canto meus demônios,
desafio meus santos,
sou eu (d)eus.
Em meio ao verde, perco-me,
nos tons de terra, planto-me...
Quem me regará?
Me podará?
No mesmo canto que não é mais o mesmo
canto meus demônios,
que são tantos,
desafio meus santos, e,
constantemente,
sou (d)eus eu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Humano-humano

Daquelas folhas ressequidas,
dentre cascalhos e verdes desbotados
a normalidade despiu suas vestes
e o 'des-padrão' calçou suas asas.
Dos tons de marrom nasceu a humanidade:
nem lúcidos, nem dementes,
sem asas voam,
vulneráveis, sobrevivem sem saberem andar,
nadar,
falar...
Eh, humanidade, tão demente e tão sabida
que não mais sei se o que sabes
de fato é saber.

domingo, 7 de novembro de 2010

Enigma

Encostada nesses ombros sinto mais leve meu pesar
como se carregasse minhas dores e meus medos
na leveza das rosas amarelas.
Sinto-me vulnerável e protegida,
e essa duplicidade me desprotege, me auto-questiona:
sendo frágil, teimo em ser forte!
Sendo forte, forjo-me ser intocável...

Mas sendo assim, afasto e intimido os ombros que buscam minha face,
que procuram uma sutileza inexistente em mim,
que geram esperanças românticas
e se apavoram ao me revelar direta e talvez fria...
Assim se faz meu combate!
Na pinta de heroína há resquícios de fragilidade,
mas só o espelho os revela.

E mesmo que esse ombro me permita descansar
tenho medo, me refugio na solidão
e sigo a história solitária da rosa no jardim...

sábado, 6 de novembro de 2010

Cara pintada

E dizem que um certo olhar não intimida ninguém...
Que as marcas da face não suscitam perguntas...
que o sorriso escondido, enigmático, é só tristeza...
que o chapéu na cabeça
é apenas mais uma forma de esconderijo...

Se os olhos gritam,
se a face não fala,
se o sorriso vai além do riso
e se o chapéu não é tirado,
não há problemas...
pois a dança que nos move
é transmitida além das aparências.

Mais vale uma face alvi-negra repleta de mistério
do que uma aquarela sem respingos de magia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Meus demônios



"Há pensamentos que são orações.

Há momentos nos quais seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos"

(Victor Hugo)


Em tardes de tempestade, onde os ventos despenteiam as ávores, e brutalmente, atiçam o movimentar pueril, fazendo do céu nublado o protagonista que chora, que de prantos longos e intensos molha a terra, as casas, as mentes, os eus. Aqui na caneca, meu chá quente de gengibre e limão buscam encontrar minha dolorida e rubra garganta... um gole, doi! No segundo... mais dor! E o terceiro, não tão diferente dos outros, é como se sangrasse o canal por onde perpassa minha voz. Mas que voz? Nesta tarde não tenho nada à dizer, senão o silêncio portador do auto-conhecimento. O silêncio que reconhece as feridas, que dialoga com os demônios, que reflete sobre a insanidade dos meus atos. A chuva cai... e as lágrimas desse sujeito que aqui vos fala, não caem nunca! Nem em dias nublados, nem ao sol... no escuro talvez, mas hoje, hoje não!

Um chá quente, um livro de Goethe, uma rede e um edredom: esqueci-me da dor, e lembrei-me das dores. As dores que os demônios sussurram, que os eus escondem, que o mundo exterior tenta perscrutar mas não alcança. É nesse duelo, dor e dores, chá e frio, chuva e sol, que faço arder minha alma, que provoco meu corpo, que deixo de ser mulher, para me tornar universal: ser humano, assim o sou nesta tarde chuvosa...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dura existência


"Porque o passado me traz uma lembrança
do tempo que eu era criança
e o medo era motivo de choro
desculpa pra um abraço ou um consolo..."
(Cazuza e Frejat)


Nas noites em que o escuro me sufoca,
eu o intimido e o transformo em luz...
Enquanto monstros horripilantes se abrigam em meu armário
salto da cama, e os transformo em sem teto...
E se a cuca busca me fazer de refeição,
convenço-na a ser vegetariana...
Mas enquanto mostro aos meus medos
a coragem que tenho diante deles,
meus medos mostram-me o quanto
eu consigo disfarçar muito bem.

Há quem afirma sua covardia
e há quem a esconda.
Há quem chora às claras,
e há quem derrama lágrimas somente no escuro:
mas não importa, não importa!
Em todas as pessoas cabem lágrimas e medo...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...