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terça-feira, 17 de julho de 2018

Me tens

Ser humano,
Ser mulher,
Ser poeta
Ser musa,
Ser corpo
Ser poesia:
Ser tua!

Degustar a vibração,
Sentir a energia do bem movimentar.
Dançar, celebrar, servir de inspiração e também se inspirar

Dentre tantos motivos,
Eis que a vida floresce, e sugere:
Mulher, quero ser tua!

-Eu apenas digo: Vida, vem, tu já me tens!


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bacana insônia

A madrugada não me permite dormir
Um gole no vinho: direto na boca
Um disco dos Beatles, caneta e papel:
Deitada na sala, no escuro, a inquietação me convida a dançar.

*Como me sinto incrivelmente humana!

Me solto, danço levitando e acredito piamente nisso:
Esqueço da mãe integral que sou,
Da super mulher que devo ser,
Da adulta responsável que paga suas próprias contas,
Da exímia profissional,
Da feminista, ativista, politizada, revoltada...
Esqueço de tudo, e me sinto apenas MULHER!
A mulher da madrugada, sozinha se sentindo plena,
Dançando suave com a caneca de vinho, na sua sala revestida de grilos.
Amo quem sou! Amo meu corpo, minhas marcas, minhas tatuagens, meus cabelos, meus olhos: o que sou!

Esses dias de bacana insônia
Combinados com vinho e música,
Ah esses dias... Como não devemos esquecer deles!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

à espera

"Sou cria da poesia que vem das ondas do mar,
se o meu canto é de Oxóssi, por isso é que sou forte..."

Ela habita ainda em mim,
sinto-a longínqua, morna,, indecisa,
talvez. adormecida...

Mas sei que ainda não nos rompemos,
nos distanciamos pelo cotidiano
e por ele mesmo havemos de nos encontrar...

Toma-me bruscamente, novamente,
como outrora me arrebatavas, e por ora:
faz-me porta voz de tua doce eloquência,
de tua desvairada canção,
de tua nobre rima,
tu, poesia,
me abandone, jamais,
não!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Amo'ela


Um novo universo se abre
ao se abrir pra mim dois pequeninos braços,
novas percepções chegam
ao nascer sempre as descobertas de minha princesa...
Não sei ser mãe, ainda, mas tento,
incluo a cada dia em minha dieta de ser feliz
a presença significante de uma lua sempre crescente:
ela cresce no amor,
ela cresce no tamanho,
ela cresce em meus braços
e são nesses momentos que percebo, atônita
o significado de uma nova vida,
vida nova que saiu de mim,
que desde meu ventre modificou...
Ela precisa de mim, e eu ainda mais dela...
São quatro meses, e lá seguimos nós,
sigo eu a transformação de cada lua,
ela sempre me sorri,
e eu sempre "amo'ela"

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vida (as)Sim

Tal como pétala perdida da flor,

tal como folha ressequida em beira ao inverno,

alvo chão,

neve,

o alvo não é o chão...

Antes da queda, o voo,

antes da perda, a evolução

antes só para se auto conhecer

do que desconhecido de si, mas acompanhado...

Tal como a folha esquecida no chão

que experimentou e desvelou

o que se quis

Assim é a vida, tal e qual a vida que se tem uma só.

sábado, 4 de junho de 2011

Multicor

Cores me despem
cores me (re)fazem
e sendo mais que uma reles aquarela
me transporto numa atmosfera multicor:
me faço em cores imagináveis,
tons variáveis,
mas nunca, nunca me pinto de uma cor só.
Sou retalho de cores,
sou colcha de pano bordada,
sou um corpo, tenho vida,
vida esta multicor!
Cores quentes e frias,
estas são a minha mais diversa cor...
simples, multicor!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vida

O que chega à mim senão luz
o que me atrai senão cores
o que me mata senão a morte...
Aquilo que me intriga,
aquilo que me devora,
aquilo que me amedronta,
aquilo que não sei o que é...
Deixar ir e voltar,
gozando do movimento, do calor
pois a vida é mesmo assim,
não se pode ficar parado
e nem mesmo correr demais!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Etapa

"Sem lenço e sem documento, eu vou..."
(Caetano Veloso)

Minhas costas fecham um caminho enquanto
minha face abre outros mil.
Sem mochila, bagagem, tudo é novidade,
é espanto, diante o absurdo misterioso
e sempre renovado da vida.
Não tenho nome, chamam-me loucura,
sanidade é o meu defeito,
controvérsias
cores e contra-valores!
Caminhando por aí,
a estrada é quem me conduz
enquanto meu olhar vagueia pela paisagem
meus pés deslizam por entre as pedras,
e a vida, ah, a vida
sem lenço, sem documento, sem nada segue...
segue...
segue.


terça-feira, 20 de julho de 2010

Fim

Se um passo eu der
se um grito soltar
se um salto eu forçar
tudo poderá ter seu fim...
Se as recordações eu queimar
se na luta eu fraquejar
se o choro fluir
minha solidão irá fruir...
Se meu abrigo desabar
se nas ruínas eu permanecer
se do pó, eu renascer
aí sim, a vida enontrará seu fim....

sábado, 10 de julho de 2010

Amargas Margaridas, tudo isso é vida!

Hoje passeei por um jardim de floridas margaridas,
de flores amargas, margaridas,
de sonhos enterrados feito semente,
de adubos escuros e frios,
mas também eficientes.
Presenciei o desabrochar de uma rosa,
rosa sedenta de vida,
vi um beija-flor roubar a virgindade de uma flor,
vi uma borboleta de asas coloridas
pousando na folha que posava pra mim...
Passeei por um jardim,
vi flores, encantos, dores e desamores
reconheci quando plantei cada umas delas,
recordei o tempo em que colhi o que plantei,
mas consegui, analogamente,
identificar que tudo é vida:
cada réstia de tristeza, amargas margaridas;
cada filete de felicidade, plantio e colheita;
cada movimento da mão, da mãe, da terra...
estou cuidando do meu jardim, e espero que ele também cuide de mim!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sonho bobo


Hoje só queria mesmo pronunciar ao menos algumas palavras, que esvoaçadas ao vento, fugiram de mim para contemplar a realidade exterior...

Hoje, somente hoje, queria ao menos roubar um pedaço das nuvens e sentir se são realmente feitas de algodão doce...

Hoje, queria só olhar pro ontem e não mais me arrepender de não ter arriscado, de não ter dito, de não ter ido...

Hoje, quero eu não lamentar as escolhas tomadas, os caminhos traçados, as linhas apagadas...

Hoje como em qualquer outro dia, simplesmente quero me prender às asas de uma louca e bela borboleta, e sair por aí trilhando sonhos, brincando de ser poetisa, de ser gente grande...

Hoje e em todos os outro dias vivo brincando de viver... viver intensamente!

Alguém aí quer me acompanhar?

domingo, 11 de abril de 2010

Conflito


Enquanto deixamos nossos prazeres passarem, a morte aproxima-se mais de nós.
Enquanto o sistema nos engole, a vida perde sua autonomia, tornando-nos mais infelizes.
Por que então lutar no mesmo intuito, correr a vida inteira por coisas banais?
Por que então, cessar os sonhos e comodamente contentar-nos com o real?
Acatar em vão o drama, e do sorriso não restar nem mesmo os dentes?

O espelho nos encara e seu reflexo não nos reflete!
Mas ainda teimo em me encontrar,
em me perder nos meus instintos,
em gozar dos meus prazeres...
Pouco importa se me rotulam de hedonista, de empírica, de quimérica...
O que mais me importa então, é esse não viver somente presa à realidade...
mas inventar, recriar e estar em tantos mundos, mudos:
me reconhecer em todos eles!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sabe aqueles dias que você pára toda a correria da rotina, respira e começa a refletir sobre o seu comportamento mecânico dos últimos dez anos da sua vida? Sabe quando você percebe que há algo de errado com o estilo de vida dos contemporâneos? Que as crianças antes de entrarem para a escola trilham sonhos próprios, e depois que nela entram, são abortados metade dos sonhos delas e os que ficam, são os que o sistema padroniza como sonhos...?
Sabe aquelas horas que a gente sente falta de alguma coisa, dentro da gente mesmo, que as pessoas que pegam ônibus com você estão sempre reclamando do sistema coletivo de transporte e da vida também? Sabe quando a gente nota que nossos hábitos se parecem com "Tempos modernos", do Charles Chaplin, só que ao vivo e à cores?
Sabe, nessas horas sinto uma felicidade tamanha... não porque nos tornamos mal amados, frígidos, porque nosssos planos são basicamente comprar um carro e passar num concurso público, mas porque estamos em crise! E não pensem precipitadamente que as crises são ruins... não, elas não são! Através delas conseguimos detectar os problemas, conseguimos enxergar nitidamente o que nos falta, o que foi perdido e o que é preciso recuperar. São com as crises que vemos nossa existência com outros olhos, que somos capazes de sair da monotonia, arregaçar as mangas e partir para uma mudança...
Sim, gosto das crises porque elas me possibilitam mudar, recriar, reinventar, e por que não, renascer... Renascer dos erros, das armadilhas do neoliberalismo, da doutrinação global, da massificação dos seres... Renascer dos preconceitos sobre as minorias, das guerras civis, da trágica corrida armamentista, do inescrupuloso discurso econômico... e assim trilhar uma nova história.
Sabe, hoje pode ser um dia desses, aliás, algo importante a ser lembrado: HOJE é sempre dia de renascer... então, não perca tempo nem mesmo vida esperando para renascer outro dia, faça-o agora! Renasça e faça da sua hístória, uma história diferente!!!!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...