Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Boca da noite



A boca da noite me beija,

num entremeio de suavidade e força,

me suga,

com  sua saliva composta de tempo e fúria

sabendo muito bem como usá-la.


A boca da noite é ácida,

nela há os devaneios marginais,

os desejos proibidos,

os segredos escondidos,

nos caminhos dos vira-latas que uivam no cio.


Se a boca da noite me toma,

num coquetel de desdenho e devassidão,

danço, rebolo, e me faço cálice:

graal sagrado e pagão

 cheinho de veneno e sabor,

e melanina e caos.


Brinco na boca da noite

recriando céus nada cristãos:

paraíso hedonista,

recanto cínico,

delírio comunista

solidão necessária

poesia,

utopia.


Afinal, não há dúvida de que

quem possua as poetas

não são outros, senão

os braços, o membro e a boca

gulosa e imensa da noite.



 


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Vinho e Cama

Quando mergulho num Merlot
encharco minha alma
das doçuras e aromas mais intensos.
Floreio a existência, e desejosa
de tantos atos e sonhos
naufrago na cama,
este espaço-tempo que aconchega os desejos meus mais inóspitos e carnais.

Mais um gole e o corpo parece queimar...
A face rubra, o corpo quente e a mente em chamas.
Um Merlot não embriaga!
Apenas reverbera as eufonias e cacofonias da alma
para em erupção, um vulcão despertar.

-Evoé!
Saúdo as bruxas, feiticeiras, sacerdotisas
que despertas, residem na minha cama.
Eu sou todas elas!
E elas, todas vivas, se abrigam na delícia
dessa mistura entre vinho, corpo e cama.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tomai e comei


Vem,
enrosca tua mão nos meus cachos emaranhados
usando tua força à favor da força do fomento.
Vai,
prensa tuas pernas em minhas pernas
sendo nós, nós de pares de pernas.
Vem,
lança beijos e poemas ao pé do meu pescoço
seja poeta, seja amante, seja o tudo em meu cangote.
Vai,
abala minha estrutura, desbanca minha banca
e beija minha boca.
Me toma, me beba, este é o Meu corpo,
tomai e comei...
Porque hoje me fiz fácil,
e o meu graal, abusa, que ele é teu ao menos hoje.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Anti-notícia


"Porque a dor da gente não é noticiada no jornal..."
(Artur da Távola)

Menos mal...
Não é noticiada, mas é compartilhada:
não por mortais, mas pela lua que me banha
com sua luz branca e fria.
Porque a dor da gente é sentida,
curada e esquecida.
Menos mal...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Corpóreo agir

Brinquemos de ser amantes...
brinquemos entre sorrisos, beijos e abraços!
Sejamos dançarinos leves e loucos, a fazer de nossos corpos
o palco, o taco perfeito para se dançar.
Sem platéia, com prazer
pular, girar, levitar...
e sem nenhum impedimento nos amar.
Depois, as cortinas se fecham,
a música cessa, a luz, perene, finda de uma vez
assim, nosso espetáculo, nosso acalanto
a outro espetáculo dá vez.
Ora protagonistas, oras solistas,
vez em quando dança a três...
o ritmo corre, o tempo escorre,
e nós, amantes de nós mesmos,
nunca teremos um fim,
mas sim, eterno recomeço!

domingo, 4 de abril de 2010

Alguns quereres


Eu quero você aqui bem perto de mim,
quero seu corpo a me servir
quero teus beijos
teu falo
tu.

Eu quero mais uma vez degustar a tua seiva,
quero tua língua
tuas mãos
tua boca
tu.
Eu quero que me penetres
prazerosamente
na carne
no corpo
na flor.

Mas não, não te quero pra sempre,
quero-te somente agora
pra devorar-te
abusar-te
usar-te
Somente isso e mais nada...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...