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sábado, 28 de dezembro de 2019

livr'amante

Nua, emaranhado corpo negro, nos lençóis alvos Ouço o tic das horas avançar, Como qual me chamasse Em tom seduzente. Eu, a mais loba das mulheres Talvez, a mais boba, também Tenho nos lábios a poesia rubra tingida, E no colo, a liberdade inquieta adocicada. Trago o vinho, como se fosse a boca do meu amante: Um poeta, um palhaço, um artista, talvez... mas sei, sempre sei que nas suas páginas, sempre haverá um amante para chamar de meu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Livro

Carne e papel:
Melanina se mistura à textura
Teu corpo, em folhas
Abrasa minha carne literária.

Tuas carícias saltam do papel
Goteja meu gozo
Como celulose extraída
Da planta bruta que sou.

Interpreta meu prazer.
Sujeita o que sou ao orgasmo do enredo teu.

domingo, 12 de agosto de 2018

Liberdade

Quando eu estiver nua,
Não, não bata na porta.
Estarei ocupada dançando irracionalmente pela casa.

Quando eu estiver nua,
Não, não ligue o telefone.
Estarei com a taça meio cheia,
Preparada para mais um gole

Quando eu estiver nua,
Compreenda:
O sexo não é uma prisão,
Nem mesmo o corpo é...
Há crimes mais perigosos
Do que a nudez do corpo e da alma.

por isso, não me toque,
Se assim eu não quiser.
Não me ame,
Sinto muito em não querer-te...

Mas quando eu estiver nua,
Por gentileza
Contemple:
Estarei revestida da minha mais nobre roupagem,
-Prazer, ela se chama Liberdade.

sábado, 14 de julho de 2018

Tatuagem

Feito tatuagem,
Quero ficar no teu corpo:
Sem desbotar,
Sem jamais sair
Nem mesmo apagar.

Quero ser livro, na pele;
Cravar a poesia, na carne;

-um corpo poesível na luz da manhã...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tomai e comei


Vem,
enrosca tua mão nos meus cachos emaranhados
usando tua força à favor da força do fomento.
Vai,
prensa tuas pernas em minhas pernas
sendo nós, nós de pares de pernas.
Vem,
lança beijos e poemas ao pé do meu pescoço
seja poeta, seja amante, seja o tudo em meu cangote.
Vai,
abala minha estrutura, desbanca minha banca
e beija minha boca.
Me toma, me beba, este é o Meu corpo,
tomai e comei...
Porque hoje me fiz fácil,
e o meu graal, abusa, que ele é teu ao menos hoje.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pecar?

Espiada por olhos negros
a pele, entrelaçada como qual uma rede de pescar:
pesca corpos, pesca libido, pesca pecado.
O seio desejoso de toque,
a matéria que se retorce,
a santidade que se esvai no topor do momento
evapora...
Que será santidade, senão fantasia?
Diga-me então: pode o teu pecado ser meu?
Sem complexidades o ser humano não sobrevive,
e só de fundamentalismo um puritano gladia com um ignorante.

Deixe que esses olhos nos devorem
e na falta do que fazer, a moral
se recolha, fuja
e não mais volte bater em nossa porta!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ósculo corrupto

Os lábios buscam a perfeição do ósculo,
o corpo, a dança sagrada do prazer:
a volúpia que embriaga-os,
a magia que os contagia.
A janela aberta, convida a Lua,
imperatriz alva, a banhar aqueles corpos
sedentos um do outro.
São amantes,
são noturnos,
dispostos inteiramente a se amarem...
Carícias, gemidos, espasmos
poesia, arte, ardor:
chamas flamejantes,
transfiguram o corpo dos eternos amantes.

domingo, 8 de agosto de 2010

Nua

Resolvi me portar nua
lançadas as algemas do pudor
minha pele como nunca é capaz de sentir
o trafegar da brisa por entre os poros,
de empiricamente comprovar que o sol
quando aquece, também pode queimar.
Resolvi me apresentar sem máscaras,
sem tecidos, mas cheia de medos,
de fragilidades, de lágrimas que outrora petrificadas
hoje escorrem à luz do dia.
Não quero a liberdade, não quero voar,
nem mesmo sumir,
quero somente na simplicidade complexa do meu ato de existir
ser o que sou, corpo e alma,
mulher, amada e amante...
Não almejo nada senão o agora...
Ser hedonista, o que importa é mesmo viver.
A que lado estou encaminhando minha existência?
Até onde já fui capaz de compreender minha essência?
Minha nudez fala por mim!
O frio que sinto, o calor que gozo,
a brisa que passeia em mim,
eles não são tão importantes,
mas sei de fato que o que realmente importa
é a leitura que faço de tudo o que me cerca.
Ressignificar... ler... recriar:
transgredir!
Mais que nudez,
meu corpo descoberto revela
a chama da vela que clareia o meu ser:
ser Ser, sendo... só!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fruto pro(l)ibido

Do rubro fruto colhido carnalmente
o sumo puro do feitiço da história,
de latente sabor, impregnado na memória...
eis assim, a construção da mullher.
Repudiada e sempre lembrada
pelo poder de seu agir,
subjulgada, submissa,
teve em seu corpo estampado
a medalha do pecado.
Mas antes de mero corpo,
grande alma também é feita,
intelecto, corpo,
pecado e santidade...
Mas deste mesmo fruto, pode-se emanar
a libido, a luxúria,
e a tantos faz gozar,
como também a inteligência
de seu leve e presente Ser e Estar.
Mulher,
fruto da árvore do conhecimento
contrário ao Gênese,
tu, a tantos pode ensinar, amar, gozar...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Roubaria tuas vestes...

Roubaria as tuas vestes
para degustar de perto tua nudez,
tua alvura, tua humanidade que
tecidos pesados ousavam esconder.
Roubaria tuas vestes para sentir a quentura anulada
pelos longos tecidos...
Roubaria elas para ver-te melhor,
ver-te profundamente,
carnalmente, humanamente!
Despiria teu corpo, tua máquina, e nela reacenderia
as chamas que o tempo apagou.
Faria-o essencialmente humano, motivo de gozo,
de ardor, de luz...
Faria uma inebriante fogueria com tuas nefastas vestes,
rasgá-la-ias, para que pagassem cruelmente
o crime de terem escondido a brancura de tua pele a tanto tempo.
Diante de ti, dançaria juntamente às brasas,
mostraria-te a leveza de um corpo nu,
extinto de vestes, de pudores,
de rudez...
Faria-o dançar, levitar e corporalmente filosofar!
Resgataria tudo aquilo que outrora
tuas vestes renegara,
reeducaria teu corpo,
pintaria tua alvice com chamas inebriantes,
faria-o levitar!
Volúpias e devaneios o possuiriam
e logo fugiríamos do real, para junto às nuvens
eu, teu corpo tocar...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mon extase Carmélite


N'import quel jour,
num dia desses,
J'ai apporté le Carmel chez moi, sans le savoir.
levei o Carmelo pra casa, sem saber
J'ai découvert un peu de son essence.
descobri um pouco de sua essência
Il est philosophe, poète et acteur au même temps.
é filósofo, poeta e ator ao mesmo tempo
J'en ai découvert l'extase de Teresa D'Ávila
descobri nele o êxtase de Teresa D'Ávila
Digne d'un poème en français.
digno de um poema em francês
Le Carmel est d'un couleur brun, tropical
o carmelo é de cor morena, tropical
Il est fort e faible au même temps
é forte e frágil ao mesmo tempo
Plein de coubers, des coubers hallucinantes
cheio de curvas, curvas alucinantes
Supérieur aux habits et aux jeûnes
superior a hábitos e jejuns
Il est riant, culturel, audacieux
é risonho, cultural e audacioso
C'est un pur 'mamulengo'
é puro 'mamulengo'
Il a un regard grand et plein
possui um olhar grande e cheio
Plein de sentiment e poésie
cheio de sentimento e poesia
Mon Coeur aujourd'hui c'est Carmélite
meu coração hoje é carmelita
Je m'ai extasié sans sentir, en sentant
extasiei-me sem sentir, sentindo
En se sentant libre, sourriant!
sentir-se livre sorrindo!
Bernini ne le dépeindrait jamais
Bernini jamais o retrataria
Seulement Lacan verrait tant d'envie
Só Lacan veria tanto desejo
Envie d'envahir lr Camel
Desejo de invadir o Carmelo
Lui connaítr par dedans,
conhecê-lo por dentro,
N'import quel jour.
num dia desses.

(Jean de la Croix)
PS: poema presenteado a mim por um grande amigo meu...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Vivo despida de preconceitos e ilusões, à luz da verdade..."
(Luz del Fuego)
Incendeia...
Ilumina...
Clareia!
A voz engasgada, os desejos enrustidos,
a falsa moral pregada
crucifica e martiriza quem ousa transgredi-la.
Incinera...
Abrasa...
Arde...
O corpo tranformado em desgraça,
intérditos por ele todo lançado.
O pequeno problema é que somos todos massa corpórea...
À fogueira aqueles que marginalizam
mas ao mesmo tempo o degustam.
Despir antes os pudores para desnudar o corpo e a mente!
Sejamos Luz e Fogo...
PS: à grande mulher vítima de perseguição por desconsiderar os pudores de seu tempo, aprendamos todos com Dora Vivacqua, condinome Luz del Fuego

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Se ainda (n)esta noite

Se ainda esta noite puderes contemplar o céu
e se saudoso o teu corpo querer o meu
peça às estrelas que te guiem
e te façam pousar aqui.
Se ainda nesta noite fria, pacata e mórbida
a lua não nos unir
direi na linguagem do desejo
o quanto necessito de ti.
Só tu, cavaleiro andante
apazigua meus hormônios,
acalma meu corpo e me vira a cabeça.
(...)
e se mesmo a lua lançar
sobre nós sua carícias frígidas,
seus segredos, meus desejos...
Pedirei,mesmo em pensamento
que ainda esta noite, algo conosco aconteça.

Nossa sentença

As convenções são farsas
que intimidam nossos desejos
os quais são doce como pecado
teus deliciosos beijos.
Se assim tivermos pregado
heresias contra a moral
inclusive no inferno, em chamas
nossos corpos arderão.
Sejamos portanto livres
sem mácula de culpa alguma
pois mesmo em pecado
o céu por nós será tocado...


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Corpóreo agir

Brinquemos de ser amantes...
brinquemos entre sorrisos, beijos e abraços!
Sejamos dançarinos leves e loucos, a fazer de nossos corpos
o palco, o taco perfeito para se dançar.
Sem platéia, com prazer
pular, girar, levitar...
e sem nenhum impedimento nos amar.
Depois, as cortinas se fecham,
a música cessa, a luz, perene, finda de uma vez
assim, nosso espetáculo, nosso acalanto
a outro espetáculo dá vez.
Ora protagonistas, oras solistas,
vez em quando dança a três...
o ritmo corre, o tempo escorre,
e nós, amantes de nós mesmos,
nunca teremos um fim,
mas sim, eterno recomeço!

domingo, 4 de abril de 2010

Alguns quereres


Eu quero você aqui bem perto de mim,
quero seu corpo a me servir
quero teus beijos
teu falo
tu.

Eu quero mais uma vez degustar a tua seiva,
quero tua língua
tuas mãos
tua boca
tu.
Eu quero que me penetres
prazerosamente
na carne
no corpo
na flor.

Mas não, não te quero pra sempre,
quero-te somente agora
pra devorar-te
abusar-te
usar-te
Somente isso e mais nada...

sábado, 3 de abril de 2010

Meretriz

Não queira mais embeber-te em meu seio negro, dele flui apenas veneno.
Não ouse mais tocar-me, não mais deguste a seiva vinda de minhas entranhas...
Meu corpo, minha boca, meus seios, minha flor,
são eles obra prima do pecado maior,
dos embustes do sexo,
das entrelinhas do prazer.

Não, não mais deleite-se em meu gozo,
e de minhas carícias não mais delire...
Não, não sinta meu perfume, não toque em meu rosto,
recuse o enlace oferecido por meus braços.
Aprenda, não se troca prazer em troca de nada...

Minhas curvas são perigosas, meu líquido, é suco de cicuta
minha vida é assassinato,
meu corpo, serviço do diabo...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Corpos nós

(...)
o prazer em tê-lo refloresce em meu semblante
tal qual a luminosidade de uma tarde de verão.
Busco degustá-lo, devorá-lo
bebê-lo, consumi-lo...
Entro em transe com sua ereção
- me ame, me ame,
nesta intensa situação.
Há horas portanto, deixo-o ir
e em meu espaço ponho-me a refletir:
Não sou culpada, vítima ou meretriz,
sou atentada aos calorosos prazeres sutis.
Sendo outra ou não,
sou o que sou sem maior objeção...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...