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domingo, 18 de setembro de 2011

As lágrimas que derramei...

Há muito que provocastes o meu pranto,
há muito que me fazes chorar,
há tempos minhas lágrimas caem, se esvaem,
e junto delas, minhas poucas esperanças.
O planeta sente as dores,
as crianças não brincam mais,
os homens não amam,
e as mulheres tornaram-se frígidas.
Há tempos que minhas lágrimas caem, se esvaem,
e sem elas, já não mais sei o que fazer.
A juventude, transviou-se,
as canções esvaziaram-se,
e os poetas já não mais existem.
O que faremos?
Que farei eu?
Certifico-me de que todo pranto derramado
mostrou-se inútil,
e ainda assim, águas saem de meus lânguidos olhos.
Hoje vejo, e reconheço,
as lágrimas que derramei não alcançam outro sujeito senão eu.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cotidiano

Dia de sol, brisa matinal,
logo cedo ingresso em mais um ônibus lotado,
caras feias (inclusive a minha),
pouco espaço, muitos corpos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pecar?

Espiada por olhos negros
a pele, entrelaçada como qual uma rede de pescar:
pesca corpos, pesca libido, pesca pecado.
O seio desejoso de toque,
a matéria que se retorce,
a santidade que se esvai no topor do momento
evapora...
Que será santidade, senão fantasia?
Diga-me então: pode o teu pecado ser meu?
Sem complexidades o ser humano não sobrevive,
e só de fundamentalismo um puritano gladia com um ignorante.

Deixe que esses olhos nos devorem
e na falta do que fazer, a moral
se recolha, fuja
e não mais volte bater em nossa porta!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Auto-destruição

Desbotada, faleceu nas mãos do próprio assassino.
Amarrotada,
serviu-se de lixo ao próprio amante...
Assim segue-se o ciclo,
fabricar, consumir,
trabalhar pra consumir...
Estuprando a natureza,
violando os recursos,
revertendo sangue em petróleo,
ar em fumaça,
saúde em gás...
Manchar, machucar e vender
Murchar, 'merdear' e comprar,
contínuo mantra executado,
contínua morte encaminhada...
E o caminho do exílio pertence à todos!

sábado, 23 de outubro de 2010

Anti-plágio


A CÓPIA JAMAIS SE IGUALA AO ORIGINAL!

A cÓpIa JaMaIs Se IgUaLa Ao OrIgInAl!

a CóPiA jAmAiS sE iGuAlA aO oRiGiNaL!

a cópia jamais se iguala ao original!

A CÓPIA É MERA CÓPIA

CÓPIA

cÓpIa

copia

.....


.

domingo, 26 de setembro de 2010

Fato



O calor dos trópicos é infernal:

quente, muito quente...

mas de onde tiraram a ideia de que o inferno é quente?

Deve ter sido algum frígido europeu...


O calor dos trópicos é celestial:

quente, muito quente...

afinal, estamos mais próximos do sol!

Será?


O calor dos trópicos é natural:

quente, muito quente...

Emitimos gases na atmosfera

para no final, matarmos a nós mesmos.

Fato.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Roubaria tuas vestes...

Roubaria as tuas vestes
para degustar de perto tua nudez,
tua alvura, tua humanidade que
tecidos pesados ousavam esconder.
Roubaria tuas vestes para sentir a quentura anulada
pelos longos tecidos...
Roubaria elas para ver-te melhor,
ver-te profundamente,
carnalmente, humanamente!
Despiria teu corpo, tua máquina, e nela reacenderia
as chamas que o tempo apagou.
Faria-o essencialmente humano, motivo de gozo,
de ardor, de luz...
Faria uma inebriante fogueria com tuas nefastas vestes,
rasgá-la-ias, para que pagassem cruelmente
o crime de terem escondido a brancura de tua pele a tanto tempo.
Diante de ti, dançaria juntamente às brasas,
mostraria-te a leveza de um corpo nu,
extinto de vestes, de pudores,
de rudez...
Faria-o dançar, levitar e corporalmente filosofar!
Resgataria tudo aquilo que outrora
tuas vestes renegara,
reeducaria teu corpo,
pintaria tua alvice com chamas inebriantes,
faria-o levitar!
Volúpias e devaneios o possuiriam
e logo fugiríamos do real, para junto às nuvens
eu, teu corpo tocar...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Assassinato


Mataram mais uma filha...
deixaram novamente a mãe triste...
escureceram ainda mais o pulmão do grande globo...
e a fumaça nos devora agora!

Mais uma árvore morreu, fora assassinada
por um filhote de trator...
por uma obra humana...
e ninguém chorou!

O ventre natural está ferido
está sendo cada vez mais vilipendiado,
e seu choro soa aos meus ouvidos
e suas dores doem em meu peito!

Até quando?
Até quando todo o verde for revertido em massa cinzenta...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Vivo despida de preconceitos e ilusões, à luz da verdade..."
(Luz del Fuego)
Incendeia...
Ilumina...
Clareia!
A voz engasgada, os desejos enrustidos,
a falsa moral pregada
crucifica e martiriza quem ousa transgredi-la.
Incinera...
Abrasa...
Arde...
O corpo tranformado em desgraça,
intérditos por ele todo lançado.
O pequeno problema é que somos todos massa corpórea...
À fogueira aqueles que marginalizam
mas ao mesmo tempo o degustam.
Despir antes os pudores para desnudar o corpo e a mente!
Sejamos Luz e Fogo...
PS: à grande mulher vítima de perseguição por desconsiderar os pudores de seu tempo, aprendamos todos com Dora Vivacqua, condinome Luz del Fuego

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Flor-Eu

Meus lábios eu não pinto de carmim,
meu colo não perfumo de jasmim,
minhas madeixas não se rendem à autoridade de um pente...
Nos meus pés não cabem saltos,
minhas unhas já vieram feitas,
e meu corpo não se rende à marcas...
Não traduzo versos em francês,
não gosto de canções em inglês,
as joias que uso são frutos da terra!
Sou flor macabra, sou margarida ressequida,
sou planta sedenta... obscura
mística, necessitada de consolo
abandonada num jardim.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Eu mulher, ela estrela

Lá no alto, na longíqua abóboda escura, avistei cá de baixo um brilho estonteante, dentre tantos corpos celestes, apenas ela me encantou. Tímida, mas nem por isso apagada, lançou sobre mim seu brilho, seu gozo, seu ser... Fui seduzida por uma estrela pequenina, por uma estrela que talvez nem exista mais no Universo, mas seu reflexo transcende a imensa distância de anos-luz. Aqui em baixo, deitada nessa relva úmida, deixo-me ser tocada, acariciada pela luz frívola, mas inensa dessa estrela que me atrai. O tempo entre nós não passa... O tempo é o AGORA... e enquanto nos amamos,nos enlaçamos, nos damos uma à outra: eu mulher, ela estrela, findamos a distância real que nos aparta e em instantes, entrelaçados nossos corpos, estamos eu-ardente, ela-estrela.
Não há distância...
Não há tempo...
Não há realidade...
Há somente o impossível subversimante na pele do possível!
E as tantas outras estrelas, e os tantos outros mortais, a espreitar-nos estão, arremetidos pela inveja, pela frustração de não terem corajem suficiente de se despirem assim como eu, asim como a estrela. Não, não possuem a força voluptuosa para enfrentarem os olhares curiosos, lançadores de juízos, portadores das telas convencionais. Não, não assumem seus quereres, não revelam-se como são, fazendo da vida de gozo e possibilidades uma morte de angústia e solidão.
Para nós, mulher e estrela, não é necessário relógios, regras,linguagem. Não é necessário leis, gramáticas, constituições... a nós, basta-nos apenas a vida e a liberdade, a corajem, o sonh tornado possível, a magia do agora, a sensação do toque, a realização do ato! Sem romper os grilhões, sem quebrar as máscaras, sem tirar as vendas que a sociedade e suas convenções nos põe, a estrela premanece estrela, nós tão frígidos quanto ela, não passamos de reles mortais...
"Viver o instante, degustar o agora,
é desafio exclusivo à existência de raros...
eu mulher, ela estrela,
ambas existimos na mesma atmosfera!"

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...