domingo, 23 de janeiro de 2011
Porta Cartesiana
Não durmo, arregalo olhos e escancaro ouvidos,
cuspo palavras e sentenças ao escuro, em silêncio,
para não serem elas abortadas pelo esquecimento de uma mente sem brilhantes.
A única luz acesa invade os cômodos ausentes de luz, invade sonhos, desperta sonos...
em pesadelos constantes bato à porta de Descartes, construo e destruo o real.
...
Bato a porta
na porta
fecho a porta
me fecho à ela
mas nem sempre a abro.
O que é perceptível?
Afinal, o que é o real?
Um universo construído, regido por um único indivíduo,
solipsismo
que relaciona-se com universos e logo apartado deles
há outros sujeitos também.
cuspo palavras e sentenças ao escuro, em silêncio,
para não serem elas abortadas pelo esquecimento de uma mente sem brilhantes.
A única luz acesa invade os cômodos ausentes de luz, invade sonhos, desperta sonos...
em pesadelos constantes bato à porta de Descartes, construo e destruo o real.
...
Bato a porta
na porta
fecho a porta
me fecho à ela
mas nem sempre a abro.
O que é perceptível?
Afinal, o que é o real?
Um universo construído, regido por um único indivíduo,
solipsismo
que relaciona-se com universos e logo apartado deles
há outros sujeitos também.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Presente

Ofertaram-me o fruto da fertilidade
donde de si, fluiam raios perfumados
energias vitalícias
sabor de poesia.
Ofertaram-me a singeleza de uma flor
um rebento que não se rebentou,
e aos meus pés se deixou cair.
Logo a mim,
ser de extraordinária ignorância
de imensa deselegância,
de cantar desafinado
e versos desritmados...
Ofertaram-me algo,
logo a mim,
mente insana,
moça interiorana,
logo a mim!
Mas perante este presente íntimo
lançarei meu canto futuro ínfimo:
agradecida, lisonjeada,
eis em minhas frágeis mãos
a oferta que a natureza me ofertou.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Canção de admiração

Colos alvos despidos
entre faces,
lances,
nuances de um universo multicor
Cabelos esvoaçantes,
lábios rubros
corpos lâguidos,
olhos cerrados,
cânticos entoados.
São arcanjos,
reluzentes,
endiabrantes,
cujas formas enfeitiçam
resvalam poder,
(re)formas,
desfazem tabus:
fogem do norte, preferem o sul.
Não creio nas canções dos poetas, nos depoimentos do boêmios,
nas juras simplórias do macho imponente...
O que vejo, o que sinto, o que desejo
simplesmente perante esses colos alvos nus
são migalhas valiosas,
são cânticos interiores,
transgressores,
recordações cravadas
de quem não é musa
mas revela em seu canto sua admiração e o poderio de se ser mulher.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Rosas arrancadas
Arranquei as rosas e as pus sobre mim.Não me deti às dores causadas pelos espinhos,
ao aroma que exalavam,
às cores que pulsavam...
Arranquei as rosas e as pus sobre mim:
não feri minhas mãos tanto quanto meu coração,
não sujei-as tanto quanto meus pés,
mas as arranquei...
Nem por amor, nem por dor,
por nada,
apenas por meu querer,
pra satisfazer meu ego
e vê-las,
junto a mim, faceler...
arranquei as rosas e as pus sobre mim:
para amenizarem minhas dores,
sanar as carência,
apagar as ausências
e me ouvirem falar.
Eis o único motivo simplório
pelo qual matei-as:
matei-as para verem elas também o meu sucumbir...
sábado, 18 de dezembro de 2010
Saia-dela
Na gira da saia delaum balaio de cores, tantas cores,
tantas flores, muitos sons:
que eu me encanto, fascinada,
não digo nada,
me envolvo, me excito
no balanço do balaio de cores dela.
Na cor da pele dela
histórias sem fim,
melanina, mel e canela,
renascendo no fulgor
na barra da saia da moça de cor.
No emaranhado das madeixas dela
pensamentos martelam
enquanto que as cores dela
o mundo conduz...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Simples canção

Esta canção vem falar das acusações,
das portas fechadas,
das amizades idas,
das lágrimas perdidas...
Esta canção fala das tristezas,
dos acordes, desacordos,
manias de solidão,
refúgios em vão(s)...
Cancioneiro debruçado
recordando aos fatos,
remoendo os erros,
perfurando, entre farpas, os dedos.
Esta é minha canção,
sem métrica, em sons...
Esta é uma canção,
falando apenas da solidão!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
B(r)anco Homem

Foram-se...
os frutos, os homens, as brisas;
Jazem ausências, solidões,
vácuos desbotados, envelhecidos,
caixões dispostos a nos acolherem,
sopros vitais desgastados...
A praça permanece, o banco permanece
o homem que ali fazia-se sentado
esta tarde voou.
As folhas caem, as árvores morrem,
as flores murcham,
o homem foi-se,
mas ali, olhe atentamente,
o banco permanece, em seu metal duro...
foram-se e lá está ele.
Assinar:
Postagens (Atom)
Condão
Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...



