quarta-feira, 18 de maio de 2011

PoemAção

Que as minhas lágrimas reparem as tuas dores
que o meu pranto caído lave o teu sofrimento
porque se um dia te fui causa,
hoje sê efeito...
se motivo de ferida,
hoje remédio...
Tudo, mas sobretudo reparação!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

pesado voar

É como se eu não estivesse aqui em mim,
é como seu eu flutuasse, mesmo pesada!
É como se eu desconhecesse os meus,
os meus olhos pesam mais que meu corpo
mas isto não torna-se motivo que impeça meu voar...
É como se minha solidão virasse contra meu peito,
impedindo-me de respirar,
pensar, filosofar, poetisar...
Agora estou em meio a nuvens, que sempre pareceram ser de algodão,
meus pés não querem o chão,
minhas mãos não querem matéria alguma,
meu corpo não quer ser corpo,
minha mente, sempre, por aí pairará...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Eu (d)eus eu

Perdida em mim, por aí,
voltas e voltas, permaneço ali... aqui.
Eterno retorno, devir, ciclo hermenêutico... será?
Num canto, canto meus demônios,
desafio meus santos,
sou eu (d)eus.
Em meio ao verde, perco-me,
nos tons de terra, planto-me...
Quem me regará?
Me podará?
No mesmo canto que não é mais o mesmo
canto meus demônios,
que são tantos,
desafio meus santos, e,
constantemente,
sou (d)eus eu.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nudez noturna

"Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite"
(Manuel Bandeira)

Amemo-nos na escuridão iluminada por astros e particularidades
enquanto andarilhos vagueiam pelas ruas
desbotadas de piche e fumaça,
nossa noite, nosso mundo
ambos se desnudam
a revelar mundos
contidos numa
noite
nua

segunda-feira, 7 de março de 2011

VELHA

A consciência, talvez já velha,
sente o peso da sobrevivência:
por entre seus dedos enrugados,
por sobre sua face violentada,
acima de sua cabeça um pano largado
afim de suavizar os raios ardentes e latejantes
que ousam-na ferir.
A consciência diante o que os olhos veem;
A consciência diante o que esses mesmos olhos querem ver...
Seria tudo dado ou construído?
Quem é o arquiteto dessa construção?
Quem é o manipulador desse dado?
Nada ao certo sabemos, e nossa ignorância
fingimos desconhecer.

domingo, 6 de março de 2011

blOco mEu

Blocos nas ruas, corpos juntos,
amontoando-se, acalorando-se...
Burburinhos, exaltações
solidões escondidas nos frevos,
nos sambas carências,
nos passes, segredos.
Eu aqui...
navegando num bloco solitário,
reconhecidamente só.
Numa manhã qualquer
lá fora o carnaval se realiza,
aqui, ao som de sofreguidão,
o orvalho me banha
tentando eu dizer ao silêncio
quem sou.
Sou bloco solitário,
reconhecidamente só...
Bloco do eu sozinho, como já disseram por aí!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Prece

Com a cabeça inclinada ao chão,
os pés fincados na terra,
os olhos cerrados
e a mente em constante devoção
derramo-me na mesma intensidade com que essas gotas tocam o chão.
Tempo de seca foi-se,
e entoando o cântico de agradecimento de minhas mãos
reconheço a fragilidade do ser diante a força
da mãe que nos criou...
Clamo a chama,
clamo a beleza,
clamo a Terra,
clamo ao sagrado que reside em mim...
Caia pesada chuva,
caia gota serena,
caia minha humanidade
e renasça eu sempre em mim!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OFERTA

Natureza assim, desnuda
despida
etérea.
Força sublime,
força forte,
pura e libidinosa.
À sua descoberta,
pronta às suas ramas regar
firo-me, fertilizo-me
e em desejosa nudez
meu corpo a ti pretendo ofertar...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vida

O que chega à mim senão luz
o que me atrai senão cores
o que me mata senão a morte...
Aquilo que me intriga,
aquilo que me devora,
aquilo que me amedronta,
aquilo que não sei o que é...
Deixar ir e voltar,
gozando do movimento, do calor
pois a vida é mesmo assim,
não se pode ficar parado
e nem mesmo correr demais!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Apena Penas

Desafiamos a física,
a crença,
os dogmas,
os 'nãos'...
Aceitando em troca dos prazeres
os olhares,
os mal juízos,
as invejas...
Pouco importa agora,
temo-nos nesse fio de instante que é eterno.
Pouco importa se atos atraem juízos
e dessas penas, resta-nos apenas penas...
Não ligo,
não ligo,
não ligo!!!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pecar?

Espiada por olhos negros
a pele, entrelaçada como qual uma rede de pescar:
pesca corpos, pesca libido, pesca pecado.
O seio desejoso de toque,
a matéria que se retorce,
a santidade que se esvai no topor do momento
evapora...
Que será santidade, senão fantasia?
Diga-me então: pode o teu pecado ser meu?
Sem complexidades o ser humano não sobrevive,
e só de fundamentalismo um puritano gladia com um ignorante.

Deixe que esses olhos nos devorem
e na falta do que fazer, a moral
se recolha, fuja
e não mais volte bater em nossa porta!

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...