quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu sou a estrada


Eu ando por lugares desertos buscando a solidão despovoada,
eu pinto paisagens na memória, com resoluções de aquarela
de alto teor abstrato.
Eu sigo por caminhos sombrios, protegidos por rios e almas,
porque é a natureza quem me fende, me defende,
quem me define, quem me prende.
Sigo o rumo, perco o prumo,
a estrada está em mim,
permanece em mim:
eu sou a estrada.
Sigo, caminhante de mim mesma...
Vou, perscrutando minhas próprias fendas...
R(E)xisto eu em mim.

  

domingo, 2 de fevereiro de 2014

GLOBALIZAÇÃO


A lixeira cheia de uns, 
é o prato vazio de outros...
A nobreza comprada
interfere na dignidade perdida...
Divisões de classes, de cores, de cortes, Horrores...
Assim segue nossa evolução:
a cada mil árvores podadas,
alguns graus à mais no termômetro,
alguns infartes nos dados,
algumas gramas à menos na consciência.
Resta então mais consumismo e menos sapiência???



domingo, 8 de setembro de 2013

Artesanar-se

Embora o tempo escorra teimosamente de minhas mãos,
embora quem eu queira que permaneça, se vá,
por mais que as feridas se cicatrizem e as dores fantasmas ardam,
eu contínuo nutrindo aquilo que me faz viver:
a poesia escondida em cada recanto inesperado,
o artesanar-se da vida sempre a fluir...
Voar sem ter asas,
mergulhar naquilo que não existe.
Eu tenho o mundo em minhas mãos,
e o mundo, que pena, não me tem.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tomai e comei


Vem,
enrosca tua mão nos meus cachos emaranhados
usando tua força à favor da força do fomento.
Vai,
prensa tuas pernas em minhas pernas
sendo nós, nós de pares de pernas.
Vem,
lança beijos e poemas ao pé do meu pescoço
seja poeta, seja amante, seja o tudo em meu cangote.
Vai,
abala minha estrutura, desbanca minha banca
e beija minha boca.
Me toma, me beba, este é o Meu corpo,
tomai e comei...
Porque hoje me fiz fácil,
e o meu graal, abusa, que ele é teu ao menos hoje.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Voe...

ao grande amigo, Célio

... e assim, quando fores embora
uma lágrima minha regará tuas lembranças,
grata serei pelo que me ensinastes,
e finalmente te direi:
voe, grande sábio,
voe, como sempre tu almejou.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Portal colorido


Diante a chuva que caia ousada
quis dividir o fim de tarde com o sol,
diante dela, um portal,
 um portal colorido se abriu pra mim.
Vendo gotículas douradas escorrerem e dançarem
pela vidraça transparente,
mesmo no tumulto de um cotidiano infernal,
eu vi o colorido portal,
 cortar o horizonte,
e chamar-me para nele eu adentrar... 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bruta flor

Digam aos colibris que semeiam beijos por aí
que há uma flor, bruta flor, sem beijo,
sem pétala, só...
Digam aos colibris que o vento saídos de suas asas
acabara de se tornar o sonho de certa flor, bruta flor...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Inércia

Para alguém que hoje 
inesperadamente,  me surpreendeu...

E se o vento novamente trouxer o inesperado,
e deixá-lo visível em minhas mãos,
o que faria eu?
Esperaria, deseperaria ou me afogaria?
Se o vento novamente trouxer o inesperado
e deixá-lo visível em minhas mãos
ao certo, não sei o que faria...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

AmoVC


"Outra vez vou te cantar,  vou te gritar
e as paredes do meu quarto vão assistir comigo..."
(Cazuza)

Tuas violetas esperam
para reencontrar o doce orvalho de tua voz...
Tuas plantas, teu jardim, teu pomar,
todos eles anseiam por tua fineza, tua firmeza,
todos eles querem a ti.
Tua casa te aguarda,
teu cheiro está em cada recanto, em cada sala.
Olho para teus objetos,
e até eles imploram por tua presença.
O que faço eu nessa casa deserta
se não tenho a tua companhia?
Se tuas queixas, tuas preces,
tuas broncas e também teu firme amor
se ausentaram?
Minhas lágrimas regam tuas coisas,
e mesmo assim, junto a elas, eu imploro:
'retorna!, e traga-me logo o teu socorro...' 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Amo'ela


Um novo universo se abre
ao se abrir pra mim dois pequeninos braços,
novas percepções chegam
ao nascer sempre as descobertas de minha princesa...
Não sei ser mãe, ainda, mas tento,
incluo a cada dia em minha dieta de ser feliz
a presença significante de uma lua sempre crescente:
ela cresce no amor,
ela cresce no tamanho,
ela cresce em meus braços
e são nesses momentos que percebo, atônita
o significado de uma nova vida,
vida nova que saiu de mim,
que desde meu ventre modificou...
Ela precisa de mim, e eu ainda mais dela...
São quatro meses, e lá seguimos nós,
sigo eu a transformação de cada lua,
ela sempre me sorri,
e eu sempre "amo'ela"

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Só mais um desabafo...


Posso querer que o mundo pare,
que as lágrimas cessem,
que as palavras calem;
Posso pedir o silêncio recheado de amargura,
posso sonhar em fugir, e 
de fato, voar pra bem longe,
posso querer tudo,
posso sonhar tudo...
Só não posso fazer do meu desabafo
um motivo a mais para que o sol não nasça...
Posso desabafar, e em mais um entardecer
suplicar por forças, suplicar por amor,
mas não posso fazer com que minhas queixas parem o mundo,
o estatize...
Seguimos: eu, o mundo e meu desabafo,
só não podemos nos dar o luxo
de, em desabafos, desabar 

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...