quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Hemorragia de verso

"Há uma gota de sangue em cada poema..."
(Mário de Andrade)

Porque quando a alma sangra,
cada gota se reverte em verso
e a poesia passa a ser uma enchente;
Poesia que é hemorragia...
É assim que a poetisa vai morrendo,
e de morrer tanto em versos,
acaba por nascer na morte, a arte.

domingo, 29 de junho de 2014

Memória Ancestral

"Ave musa incandescente, do deserto do meu sertão"
(Ariano Suassuna)

As fogueiras pintadas na cidade, em pleno planalto central do país
numa noite sem luar, numa noite estrelada,
numa noite estralada pelo frio.
É dia de são Pedro,
é dia de queimar fogueira, de estourar pipoca,
de temperar canjica e de beber quentão.
As 'gentes' ao redor do fogo,
reproduzindo os costumes de um povo,
vindos do sertão.
A cachaça batizada, ofertada à vida e ao santo
rasga a garganta, aquece o corpo,
anima a festa e gira o mundo!
As bandeirolas exuberantes xaxando
seguindo o conduzir do vento,
a prosa boa, o riso fácil:
são levezas tecidas à sombra do fogo.
O coco, o xote, o forró, o baião,
os casais bailando:
-São Pedro, salve! Quanta animação!-
Mas lá pelas tantas, bate um saudosismo,
a madrugada vem trazendo, em cortejo,
a saudade de um tempo que não se viveu,
no entanto as raízes evidenciam nossa memória ancestral:
Viva Franciscos, viva Antônios, viva Eduardos,
que nos ensinaram, pelos laços sanguíneos
como é gostoso reconhecer-se
como povo festeiro, guerreiro,
povo alegre, do SERTÃO...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Levezas inigualáveis


Há leveza nos dias... Isto é fato!
Mas há de fato, certos dias de levezas inigualáveis,
donde levemente, lavo mente, dia e corpo,
com doçuras amáveis,
pois são estes dias,
docemente, levemente:
dias irreparáveis!!!

domingo, 6 de abril de 2014

Beard

Uma barba afiada a me ouriçar,
desnudando meus mudos mundos desnudos:
enlouqueço,
estremeço,
adormeço...


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu sou a estrada


Eu ando por lugares desertos buscando a solidão despovoada,
eu pinto paisagens na memória, com resoluções de aquarela
de alto teor abstrato.
Eu sigo por caminhos sombrios, protegidos por rios e almas,
porque é a natureza quem me fende, me defende,
quem me define, quem me prende.
Sigo o rumo, perco o prumo,
a estrada está em mim,
permanece em mim:
eu sou a estrada.
Sigo, caminhante de mim mesma...
Vou, perscrutando minhas próprias fendas...
R(E)xisto eu em mim.

  

domingo, 2 de fevereiro de 2014

GLOBALIZAÇÃO


A lixeira cheia de uns, 
é o prato vazio de outros...
A nobreza comprada
interfere na dignidade perdida...
Divisões de classes, de cores, de cortes, Horrores...
Assim segue nossa evolução:
a cada mil árvores podadas,
alguns graus à mais no termômetro,
alguns infartes nos dados,
algumas gramas à menos na consciência.
Resta então mais consumismo e menos sapiência???



domingo, 8 de setembro de 2013

Artesanar-se

Embora o tempo escorra teimosamente de minhas mãos,
embora quem eu queira que permaneça, se vá,
por mais que as feridas se cicatrizem e as dores fantasmas ardam,
eu contínuo nutrindo aquilo que me faz viver:
a poesia escondida em cada recanto inesperado,
o artesanar-se da vida sempre a fluir...
Voar sem ter asas,
mergulhar naquilo que não existe.
Eu tenho o mundo em minhas mãos,
e o mundo, que pena, não me tem.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tomai e comei


Vem,
enrosca tua mão nos meus cachos emaranhados
usando tua força à favor da força do fomento.
Vai,
prensa tuas pernas em minhas pernas
sendo nós, nós de pares de pernas.
Vem,
lança beijos e poemas ao pé do meu pescoço
seja poeta, seja amante, seja o tudo em meu cangote.
Vai,
abala minha estrutura, desbanca minha banca
e beija minha boca.
Me toma, me beba, este é o Meu corpo,
tomai e comei...
Porque hoje me fiz fácil,
e o meu graal, abusa, que ele é teu ao menos hoje.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Voe...

ao grande amigo, Célio

... e assim, quando fores embora
uma lágrima minha regará tuas lembranças,
grata serei pelo que me ensinastes,
e finalmente te direi:
voe, grande sábio,
voe, como sempre tu almejou.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Portal colorido


Diante a chuva que caia ousada
quis dividir o fim de tarde com o sol,
diante dela, um portal,
 um portal colorido se abriu pra mim.
Vendo gotículas douradas escorrerem e dançarem
pela vidraça transparente,
mesmo no tumulto de um cotidiano infernal,
eu vi o colorido portal,
 cortar o horizonte,
e chamar-me para nele eu adentrar... 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bruta flor

Digam aos colibris que semeiam beijos por aí
que há uma flor, bruta flor, sem beijo,
sem pétala, só...
Digam aos colibris que o vento saídos de suas asas
acabara de se tornar o sonho de certa flor, bruta flor...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...