terça-feira, 24 de outubro de 2017

03e13 da matina

Enquanto meu líquido te envolve,
O vento quente da madrugada cantarola lá fora.
Enquanto meu gemido, limpo, soa como música aos teus ouvidos,
O relógio denuncia ser 03:13.

Podemos não nos amar,
Mas a intensidade e o gosto do nosso sexo se fazem laços indescritíveis.
Qual o problema que se há?
O sexo, o ato, quando compartilhado por dois (ou três, ou quatro... Ou...) seria errado?

Poupem-me os morais, mas para tal situação não há regras!
Seja na noite, no frio, na grama ou na cama
Tanto faz... O que realmente importa, eis que vou declarar!
O que realmente importa, é não importar a terceiros (ao menos se estes terceiros estiverem de fato envolvidos no ato ...)

Portanto, aumenta o som,
Baixa a bola, deixe-se despir
Porque o tempo é o agora
E o corpo, corpo também sabe o que quer.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Minha criança



Uma selva de cabelos brancos
cultivados ao longo de mais de 70 anos:
foram 'sins', nãos, erros, acertos,
mas foram sobretudo,os frutos de uma vida.
As escolhas, as lágrimas, os risos e
também os feitos de uma guerreira: minha matriarca.

Mesmo quando tuas forças já começam a minguar,
mesmo nas fraquezas tu sabes ser forte,
ou melhor és forte, e essa tua força,
tua constante intercessão, tua firmeza e também o teu gemer,
teu clamar, o teu calor, tudo isso me fazem ser eterna observadora,
aprendiz da tua sapiência, de tua fé.

Mesmo que as letras te faltem,
que os olhos marejados e já cansados do tempo,
mesmo assim franzina,
de porte fino e físico desgastados,
de cabelos prateados e rugas na face,
vejo nisso tudo os caminhos da experiência,
os caminhos que me encaminharam...

Gratidão, respeito e amor
Sei que isso são apenas obrigações,
Formas simples de agradecer e reconhecer
A fortaleza que tu sempre foi, e será, sempre...

Desde tua seiva até a tua coragem,
Me ensinaste o caminho do bem:
Mãe,
que na tua velhice possa eu
Dar- te todo o cuidado
Que me foi dado quando
pequenina e infante tu me deste.

Que seja agora, tu
a criança que eu devo ninar
com o mesmo intenso amor
que outrora tu me regou.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

à espera

"Sou cria da poesia que vem das ondas do mar,
se o meu canto é de Oxóssi, por isso é que sou forte..."

Ela habita ainda em mim,
sinto-a longínqua, morna,, indecisa,
talvez. adormecida...

Mas sei que ainda não nos rompemos,
nos distanciamos pelo cotidiano
e por ele mesmo havemos de nos encontrar...

Toma-me bruscamente, novamente,
como outrora me arrebatavas, e por ora:
faz-me porta voz de tua doce eloquência,
de tua desvairada canção,
de tua nobre rima,
tu, poesia,
me abandone, jamais,
não!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

PROFECIA

À cada dia, nosso corpo é violado,
a cada instante, somos molestadas,
Essa tortura, será, nunca se acaba?

Mãos, bocas, dentes, caralhos, e o diabo à quatro esfregam,
comem, devoram, e sem autorização, se apossam de nós,
tal como terreno baldio, que sem dono, fazem o que querem:
A TV, a internet, a propaganda, o presidente,
o padre, o professor e  o pastor, e o patrão também...
Até quando???

Nosso grito assombra a história,
todo tipo de violência: ideal, corporal, moral, escambau,
estampam nossaa cara e cicatrizam nossa alma.
Desde sempre foi assim... (Muitos dirão),
Certo?
ERRADO!!!

Mas eis que de uma a uma nos erguemos,
reivindicando o ato de SER.
Nossa luta é constante, duradoura, cosida fio a fio, diariamente...
Helenas, Marias, Zilmas e Ninhas, companheiras minhas!
Nossas mãos se levantam e nosso canto,
se ascende ainda mais!

Que cada violência cometida se reverta em força e indignação.
Que a intolerância e a ignorância sejam gatilhos que nos unifiquem cada vez mais!
Que cada ultraje cometido contra nosso corpo  seja revertido em atitude e ativismo,
desde o Planalto, aos confins da Terra!
Que a dor de uma, seja a dor de todas!
E que todas, todas sejamos UMA, Unas!





quinta-feira, 21 de abril de 2016

FLORES PRA 'DI'


Ela não é do lar,
Recatada? Acho que não!
Bela? Fora dos padrões...
Mulher, já entrou pra história, já fez história;
Terrorista, desse jeito sim,
Afinal,, impregna medo nos patrões.
Tua força, tua cara, minha cara, tantas caras...
e segues seguindo
resistindo às perseguições.
Teu partido não tem mais estrela,
teu partido somos todas nós.
Tua bandeira, a vermelha,
representa nosso ciclo, nossa voz.
Por isso brasileiras, em meio a hostilização
colhemos flores e as lançamos
sobre o mármore da capital.
pra revelar um segredo:
unidas, sempre somos mais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Hemorragia de verso

"Há uma gota de sangue em cada poema..."
(Mário de Andrade)

Porque quando a alma sangra,
cada gota se reverte em verso
e a poesia passa a ser uma enchente;
Poesia que é hemorragia...
É assim que a poetisa vai morrendo,
e de morrer tanto em versos,
acaba por nascer na morte, a arte.

domingo, 29 de junho de 2014

Memória Ancestral

"Ave musa incandescente, do deserto do meu sertão"
(Ariano Suassuna)

As fogueiras pintadas na cidade, em pleno planalto central do país
numa noite sem luar, numa noite estrelada,
numa noite estralada pelo frio.
É dia de são Pedro,
é dia de queimar fogueira, de estourar pipoca,
de temperar canjica e de beber quentão.
As 'gentes' ao redor do fogo,
reproduzindo os costumes de um povo,
vindos do sertão.
A cachaça batizada, ofertada à vida e ao santo
rasga a garganta, aquece o corpo,
anima a festa e gira o mundo!
As bandeirolas exuberantes xaxando
seguindo o conduzir do vento,
a prosa boa, o riso fácil:
são levezas tecidas à sombra do fogo.
O coco, o xote, o forró, o baião,
os casais bailando:
-São Pedro, salve! Quanta animação!-
Mas lá pelas tantas, bate um saudosismo,
a madrugada vem trazendo, em cortejo,
a saudade de um tempo que não se viveu,
no entanto as raízes evidenciam nossa memória ancestral:
Viva Franciscos, viva Antônios, viva Eduardos,
que nos ensinaram, pelos laços sanguíneos
como é gostoso reconhecer-se
como povo festeiro, guerreiro,
povo alegre, do SERTÃO...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Levezas inigualáveis


Há leveza nos dias... Isto é fato!
Mas há de fato, certos dias de levezas inigualáveis,
donde levemente, lavo mente, dia e corpo,
com doçuras amáveis,
pois são estes dias,
docemente, levemente:
dias irreparáveis!!!

domingo, 6 de abril de 2014

Beard

Uma barba afiada a me ouriçar,
desnudando meus mudos mundos desnudos:
enlouqueço,
estremeço,
adormeço...


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu sou a estrada


Eu ando por lugares desertos buscando a solidão despovoada,
eu pinto paisagens na memória, com resoluções de aquarela
de alto teor abstrato.
Eu sigo por caminhos sombrios, protegidos por rios e almas,
porque é a natureza quem me fende, me defende,
quem me define, quem me prende.
Sigo o rumo, perco o prumo,
a estrada está em mim,
permanece em mim:
eu sou a estrada.
Sigo, caminhante de mim mesma...
Vou, perscrutando minhas próprias fendas...
R(E)xisto eu em mim.

  

domingo, 2 de fevereiro de 2014

GLOBALIZAÇÃO


A lixeira cheia de uns, 
é o prato vazio de outros...
A nobreza comprada
interfere na dignidade perdida...
Divisões de classes, de cores, de cortes, Horrores...
Assim segue nossa evolução:
a cada mil árvores podadas,
alguns graus à mais no termômetro,
alguns infartes nos dados,
algumas gramas à menos na consciência.
Resta então mais consumismo e menos sapiência???



Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...