terça-feira, 17 de julho de 2018

Me tens

Ser humano,
Ser mulher,
Ser poeta
Ser musa,
Ser corpo
Ser poesia:
Ser tua!

Degustar a vibração,
Sentir a energia do bem movimentar.
Dançar, celebrar, servir de inspiração e também se inspirar

Dentre tantos motivos,
Eis que a vida floresce, e sugere:
Mulher, quero ser tua!

-Eu apenas digo: Vida, vem, tu já me tens!


sábado, 14 de julho de 2018

Tatuagem

Feito tatuagem,
Quero ficar no teu corpo:
Sem desbotar,
Sem jamais sair
Nem mesmo apagar.

Quero ser livro, na pele;
Cravar a poesia, na carne;

-um corpo poesível na luz da manhã...

sábado, 7 de julho de 2018

Filhos do Riso

Olha, olha lá no céu:
O sol poente se transfigurou num enorme nariz vermelho,
Onde adulto algum consegue enxergar...

Venham, venham brincar de verdade,
Deixar saltar a criança desperta que há em nós
Observar seu lado torto,
E com ele, sorrir sem juízo algum.

Faça, faça valer a pena
O tempo que bambeia, mas não pára:
Chore, ria, oferta poesia, seja luz
Assim se quiser

Mas não tarde em descobrir-se palhaço,
Em sentir gozo nas cores bobas que a vida tem
O espetáculo maior é o aprendizado:
E ser bobo tem lá suas vantagens (ôh se tem)!

Cresçam, filhos do riso
Multipliquem-se, ergam a lona
Pintem a cara, brinquem,
Sejam sagrados: a Terra necessita do teu encantamento!
E por mais que não entendam e apenas riem da tua figura,
Embaixadores e semeadores do riso:
Jamais permitam que o vosso legado seja extinto pela frieza e dureza dos tempos que virão...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ardência

Banho de língua:
feito gata, me derreto entre a tua chupada.
Uivo, feito loba no cio:
de quatro, empino meu quadril.
Me contorço:
reencarno Lilith, a serpente que há em mim.
Ofegante, eu determino:
me dê mais, me dê intensidade, me enrosca, me deguste, me percorra...

Dos meus poros: o perfume afrodisíaco natural;
Da minha boca: beijos e mordidas;
Do meu corpo: flui o precioso mel;
Sou pimenta, ardência intensa, mulher a mil.

Poesível quintal

Um raio de sol passeou
pela fresta da copa
da árvore
do meu
quintal.
Pausou: o canto da ave,
a asa ligeira amarela
da borboleta,
o pacato
vento.
Coloriu e iluminou
os galhos da
pitanga
acerola
graviola
seriguela
goiabeira.

Aqueceu meu corpo,
queimou meus lábios,
colheu gotas de suor de mim.

-Um raio de sol, hoje, revelou-se mais poesível do que possível...

domingo, 1 de julho de 2018

...Estado reticente...

A lua sobe, e cá embaixo, na solidão da noite, busco encontrar algo que tem se mantido ausente,
silente...

Fito o céu noturno:
Lá fora, uma lua branca, inteira, cheia... Com poucas estrelas, a brisa tímida passeia.

Por aqui, mantenho-me calada, imóvel, apenas ouso respirar.
Sinto um vazio, perdida,
Sem ao menos saber navegar.
Os ruídos longínquos, quebram a parcimônia da noite, e através deles, revisito minhas ruínas.

Há vestígios em pó de medos, inseguranças, dúvidas, inquietações e tanto mais.

Estou viva.
Estou silente.
Estou ausente.

-Estado inexplicável de reticências.
...
.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bacana insônia

A madrugada não me permite dormir
Um gole no vinho: direto na boca
Um disco dos Beatles, caneta e papel:
Deitada na sala, no escuro, a inquietação me convida a dançar.

*Como me sinto incrivelmente humana!

Me solto, danço levitando e acredito piamente nisso:
Esqueço da mãe integral que sou,
Da super mulher que devo ser,
Da adulta responsável que paga suas próprias contas,
Da exímia profissional,
Da feminista, ativista, politizada, revoltada...
Esqueço de tudo, e me sinto apenas MULHER!
A mulher da madrugada, sozinha se sentindo plena,
Dançando suave com a caneca de vinho, na sua sala revestida de grilos.
Amo quem sou! Amo meu corpo, minhas marcas, minhas tatuagens, meus cabelos, meus olhos: o que sou!

Esses dias de bacana insônia
Combinados com vinho e música,
Ah esses dias... Como não devemos esquecer deles!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

03e13 da matina

Enquanto meu líquido te envolve,
O vento quente da madrugada cantarola lá fora.
Enquanto meu gemido, limpo, soa como música aos teus ouvidos,
O relógio denuncia ser 03:13.

Podemos não nos amar,
Mas a intensidade e o gosto do nosso sexo se fazem laços indescritíveis.
Qual o problema que se há?
O sexo, o ato, quando compartilhado por dois (ou três, ou quatro... Ou...) seria errado?

Poupem-me os morais, mas para tal situação não há regras!
Seja na noite, no frio, na grama ou na cama
Tanto faz... O que realmente importa, eis que vou declarar!
O que realmente importa, é não importar a terceiros (ao menos se estes terceiros estiverem de fato envolvidos no ato ...)

Portanto, aumenta o som,
Baixa a bola, deixe-se despir
Porque o tempo é o agora
E o corpo, corpo também sabe o que quer.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Minha criança



Uma selva de cabelos brancos
cultivados ao longo de mais de 70 anos:
foram 'sins', nãos, erros, acertos,
mas foram sobretudo,os frutos de uma vida.
As escolhas, as lágrimas, os risos e
também os feitos de uma guerreira: minha matriarca.

Mesmo quando tuas forças já começam a minguar,
mesmo nas fraquezas tu sabes ser forte,
ou melhor és forte, e essa tua força,
tua constante intercessão, tua firmeza e também o teu gemer,
teu clamar, o teu calor, tudo isso me fazem ser eterna observadora,
aprendiz da tua sapiência, de tua fé.

Mesmo que as letras te faltem,
que os olhos marejados e já cansados do tempo,
mesmo assim franzina,
de porte fino e físico desgastados,
de cabelos prateados e rugas na face,
vejo nisso tudo os caminhos da experiência,
os caminhos que me encaminharam...

Gratidão, respeito e amor
Sei que isso são apenas obrigações,
Formas simples de agradecer e reconhecer
A fortaleza que tu sempre foi, e será, sempre...

Desde tua seiva até a tua coragem,
Me ensinaste o caminho do bem:
Mãe,
que na tua velhice possa eu
Dar- te todo o cuidado
Que me foi dado quando
pequenina e infante tu me deste.

Que seja agora, tu
a criança que eu devo ninar
com o mesmo intenso amor
que outrora tu me regou.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

à espera

"Sou cria da poesia que vem das ondas do mar,
se o meu canto é de Oxóssi, por isso é que sou forte..."

Ela habita ainda em mim,
sinto-a longínqua, morna,, indecisa,
talvez. adormecida...

Mas sei que ainda não nos rompemos,
nos distanciamos pelo cotidiano
e por ele mesmo havemos de nos encontrar...

Toma-me bruscamente, novamente,
como outrora me arrebatavas, e por ora:
faz-me porta voz de tua doce eloquência,
de tua desvairada canção,
de tua nobre rima,
tu, poesia,
me abandone, jamais,
não!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

PROFECIA

À cada dia, nosso corpo é violado,
a cada instante, somos molestadas,
Essa tortura, será, nunca se acaba?

Mãos, bocas, dentes, caralhos, e o diabo à quatro esfregam,
comem, devoram, e sem autorização, se apossam de nós,
tal como terreno baldio, que sem dono, fazem o que querem:
A TV, a internet, a propaganda, o presidente,
o padre, o professor e  o pastor, e o patrão também...
Até quando???

Nosso grito assombra a história,
todo tipo de violência: ideal, corporal, moral, escambau,
estampam nossaa cara e cicatrizam nossa alma.
Desde sempre foi assim... (Muitos dirão),
Certo?
ERRADO!!!

Mas eis que de uma a uma nos erguemos,
reivindicando o ato de SER.
Nossa luta é constante, duradoura, cosida fio a fio, diariamente...
Helenas, Marias, Zilmas e Ninhas, companheiras minhas!
Nossas mãos se levantam e nosso canto,
se ascende ainda mais!

Que cada violência cometida se reverta em força e indignação.
Que a intolerância e a ignorância sejam gatilhos que nos unifiquem cada vez mais!
Que cada ultraje cometido contra nosso corpo  seja revertido em atitude e ativismo,
desde o Planalto, aos confins da Terra!
Que a dor de uma, seja a dor de todas!
E que todas, todas sejamos UMA, Unas!





Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...