quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Sutileza

Não estou apta a "Damares", certames, provas...
Tenho preguiças.
Busco trocas:
Trocas intensas, leais, legais.
Nada de correntes, pactos, propriedades sutis.
Quero a verdade,
A leveza e a 
Liberdade.

De resto, não anseio nada mais.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Insônia

Insônia
(Cláudia Martins)

ouvindo Beatles, escrevendo um pouco,
um gole de vinho...

Falta um trago
num cigarro, e 
outra boca:

-Ah, essa vida é
mesmo solitária
e louca.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Ancestrais

Ao redor da fogueira,
vejo as sombras das ancestrais.
O som do tambor, os pés descalços fincados no chão,
As danças circulares, femininas, sagradas,
Estão todas em mim.
Fazem parte do que sol...
Me aquecem,
Me abrasam,
Marcam minha pele.

Não sou o passado,
Mas a história da minha gente me arvoresce, me faz crescer,
Ser.
Sereio o que sou com o auxílio das sereias que vieram antes de nós.


sábado, 28 de dezembro de 2019

livr'amante

Nua, emaranhado corpo negro, nos lençóis alvos Ouço o tic das horas avançar, Como qual me chamasse Em tom seduzente. Eu, a mais loba das mulheres Talvez, a mais boba, também Tenho nos lábios a poesia rubra tingida, E no colo, a liberdade inquieta adocicada. Trago o vinho, como se fosse a boca do meu amante: Um poeta, um palhaço, um artista, talvez... mas sei, sempre sei que nas suas páginas, sempre haverá um amante para chamar de meu.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Sangue

Meu ventre, em raiz sangra
cada gota
fecunda o ventre da mãe primordial.
Perpassa as eras, as horas, o húmus...

O sagrado feminino,
belo,
forte
íntimo.

Jorra a seiva vermelha de volta ao seu jardim:
jardim das belezas
das delícias,
das deusas,
das poetisas...

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Livro

Carne e papel:
Melanina se mistura à textura
Teu corpo, em folhas
Abrasa minha carne literária.

Tuas carícias saltam do papel
Goteja meu gozo
Como celulose extraída
Da planta bruta que sou.

Interpreta meu prazer.
Sujeita o que sou ao orgasmo do enredo teu.

domingo, 12 de agosto de 2018

Liberdade

Quando eu estiver nua,
Não, não bata na porta.
Estarei ocupada dançando irracionalmente pela casa.

Quando eu estiver nua,
Não, não ligue o telefone.
Estarei com a taça meio cheia,
Preparada para mais um gole

Quando eu estiver nua,
Compreenda:
O sexo não é uma prisão,
Nem mesmo o corpo é...
Há crimes mais perigosos
Do que a nudez do corpo e da alma.

por isso, não me toque,
Se assim eu não quiser.
Não me ame,
Sinto muito em não querer-te...

Mas quando eu estiver nua,
Por gentileza
Contemple:
Estarei revestida da minha mais nobre roupagem,
-Prazer, ela se chama Liberdade.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

F.I.M

Meu corpo está chagado...
Ensanguentado,
Esbofeteado,
Rasgado
Em nome do amor(?).

Olhos chorosos,
Meu pranto é ignorado,
Meu pedido de socorro,
Chiiiiiiu! Não foi e não será escutado...
-Enfim, meu corpo foi executado.

Serei mais uma...
Assassinada, morta na estatística.
Feminicídio. Sangue. Suor frio.
Fim.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Mãe, eu quero ser poeta!

Mãe, eu quero ser poeta!
Quero o doce fardo de carregar água na peneira,
De se encantar pelos despropósitos a
E com palavras, peraltagens criar.

Ôh mãe, eu quero ser poeta!
Quero me graduar na ciência
Louca de desenhar versos,
E, me empregar das levezas, bobices e desencantos...

Ah, deixa-me ser poeta...
Deixa-me voar e entrar nos abismos,
Colher as palavras como quem colhe
Frutas adocicadas no quintal.

Ah, mãe...
Não me encaixo no padrão
Sou torta, pássaro selvagem, sem ninho
Mas como o do diabo, o pão,
Pelo simples ato de querer ser poeta!

terça-feira, 17 de julho de 2018

Me tens

Ser humano,
Ser mulher,
Ser poeta
Ser musa,
Ser corpo
Ser poesia:
Ser tua!

Degustar a vibração,
Sentir a energia do bem movimentar.
Dançar, celebrar, servir de inspiração e também se inspirar

Dentre tantos motivos,
Eis que a vida floresce, e sugere:
Mulher, quero ser tua!

-Eu apenas digo: Vida, vem, tu já me tens!


sábado, 14 de julho de 2018

Tatuagem

Feito tatuagem,
Quero ficar no teu corpo:
Sem desbotar,
Sem jamais sair
Nem mesmo apagar.

Quero ser livro, na pele;
Cravar a poesia, na carne;

-um corpo poesível na luz da manhã...

Condão

Quando escrevo, não imponho limites: Me derramo, me desvelo, A poesia então num ato de cerzir Emenda minha existência com a dela. ...